quinta-feira, dezembro 28, 2006

in ér cia

inércia.
o relógio não anda, os dias não mudam. está tudo assim parado, cinza e sem graça.
não existem razões suficientes para que se faça aquele ritual diário, o trânsito é em vão, o mundo por um clique já não é convidativo, o telefone que pode ser um elo se faz um instrumento morto...

que graça há nos dias em que o fim do ano chega? eles eram esperados demais e agora que estão aqui, só irritam e trazem tédio.

a vontade era de voar pra longe, onde os desejos guardados na mente e no coração pudessem ser libertos e assim, fantasiar os dias.

engraçado é notar como toda vez a ilusão toma conta, persevera e faz crer que mudanças são realmente mudanças. mas não, elas não passam de ilusões da mente. os números mudam, os nomes mudam, as faces e os jeitos, mas a história se repete. inexplicavelmente se repete e ainda nos pega como tolos, que acreditamos estar ali um bom motivo para se olhar com outros olhos e fazer valer a pena.

vontade dá e passa, uma lástima.
pois eu tive vontade de fazer uma história melhor, mas de que adianta escrever páginas assim tão só.
tão somente na vontade de querer mudar, melhorar e não conseguir...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

dentro de um estojo

queria eu poder fazer os dias do meu jeito. tirar de dentro do meu estojo as armas que fizessem as horas, as situações, os pensamentos um tanto menos complicados e mais diretos.
como com lapiseiras, que se escreve por não ter certeza do que virá, se calcula sempre sabendo que se pode errar e ainda assim não temer, pois ali do lado existe uma borracha que pode tudo apagar, e num assoprão o que era falho voa pra longe e se começa tudo de novo, ou até mesmo quando a carga acaba acrecenta-se mais um palito de grafite e desanda a escrever, calcular, prever... novamente.
como com canetas coloridas, dividindo a folha em tópicos, títulos, observações. cada coisa em sua categoria de importância, sublinhada, assinalada, em uma cor que diferencia seus valores e seus respectivos sentidos. disposta em uma folha assinalada regradamente, quem sabe assim a vida ainda que moldada, teria mais fluência.
como com canetinhas hidrocores, que contornam idéias dispostas a fluir como desenhos, rabiscos, códigos. mas que estão ali, para serem decifradas como bem pudessem por qualquer um que passar... sem demasiadas explicações, somente ali.
como com giz de cera ou lápis de cor, que preenchem de maneira uniforme aquele traçado, somente dando mais intensidade no que fora desenhado. para que não se passe assim, vago e sem conteúdo, sem graça, sem intenção.
dentro do meu estojo poderia haver a solução para a inquetudes da mente, cada objeto diposto ali dentro poderia substituir toda essa massa cefálica e aí sim fazer algum sentido.
interrogação, provação, argumentação... a todo momento, como se para viver fosse preciso mesmo alguma direção e não bastasse simplesmente fluir, categoricamente, como cada objeto e sua função guardados dentro de um estojo.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Sim, eu vou desse jeito, apesar de tudo.

Não com 100% de coragem, sempre com um pé atrás tentando prever o futuro de primeira, na primeira, tem sempre um frio na barriga, um tremor que só eu noto, às vezes pesadelos de olhos bem abertos.
Mas eu vou assim mesmo.
Medo maior tenho de acomodar e virar concreto armado, plástico, aroma artificial com corante, aquela coisa sem graça, sem sal nem tempero, que pouco faz diferença no dia-a-dia. Porque eu sangro, suo e choro, escorro em líqüidos reais fabricados por sensações reais e sou real mesmo quando plebéia, em mero segundo plano das intenções alheias.
Sinto muito, eu sou de verdade e sem conservantes e aromatizantes.
Não adianta procurar meu mapa e querer saber o nome das minhas ruas as coordenadas do GPS, o CEP, os facilitadores... É assim que as coisas fluem, se você me tem me faz decifrar, o problema é eu me achar em você, isso sim é o beco da rua sem número.
Pra me penetrar tem que ser no instinto e no sentimento. Tem que saber se orientar pelas estrelas e pelo faro, pelo agrado, pela situação, de palavras eu já estou cheia, tenho um dicionário na prateleira que não me serve para nada, muito do que existe ali dentro já foi gasto em vão. É assim senão você se perde - ou me perde.
Meu coração não é urbanizado. Tem leão, formiga, hipopótamo, joaninha, hiena, borboleta, elefante e minhoca. É aquela coisa de reino encantado, fábula, lenda, mito só acreditando pra entender o sentido. Aqui não dá pra fugir da lama, é pra correr descalço e sujar os pés. Não sou banquete, sou pra comer com as mãos, entende? Então essa delicadeza ensaiada e formal não me fala, nem me cala. Delicado pra mim é pinguinho de chuva na bochecha, é brisa levantando três mechas de cabelo, é gargalhada de criança, não tem nada a ver com usar os talheres certos.
Pra mim o cheiro da pele tem mais importância que o preço do perfume, pra usar em volta do corpo sou mais um abraço que uma roupa cara com intenções baratas, o brilho do olho faísca sempre mais que o diamante. Eu gosto de andar perdida pela casa. Mas eu quero andar certeira pela sua vida.
Selvagem? Sua civilização tem feras muito mais perigosas. Cuidado. Elas são traiçoeiras. Na minha selva, que te aflige, é sempre olho no olho. Nada de dircusinho barato ganhador de frase do ano. Aqui eu quero é ver quem vai piscar primeiro.

subversão

Fiz um outro amor de papel. No dia em que eu dobrava o anterior, retirava a tirinha do envelope como fosse brincadeira. O próximo. Daí que não era um bom nome. Depois pensei: e qual deles algum dia teria sido bom nome? Fiquei brincando com o nome dele entre os meus dedos. E meu sorriso encontrando o dele pelas esquinas o tempo todo. E as vontades saindo de trás das árvores sob o sol das duas da tarde. Está todo mundo olhando, eu pensava. Ele nem ligava. Ligava, sim. De hora em hora. E eu deitada sobre o tapete da sala respondendo risadas indecentes. Entrava no banho e gritava com o sabonete que insistia em me lembrar que aquele não era um bom nome. Dane-se. Me faz feliz. Tenho tantas risadas esparramadas pelo tapete que ninguém acreditaria. Talvez seja esse o problema, elas ficam ali cravadas no chão que todos pisam, passam por cima e nem notam, equanto eu as vejo saltitantes, radiantes, me mostrando que fazem parte de um passado e não de um presente que tanto quero e tento encontrar. Sim, eu não acho e finjo. Então minto. Esfrego os olhos e digo que chorei a noite inteira.

me namora um tanto agora?

larga o teu rolo sério, o teu namoro precário e vem passar comigo os teus próximos 30 dias nessa vida. se não houver futuro algum, você nem sabe, nessa nossa relação súbita e rápida. mal nos conhecemos de fato, mas os beijos compensam. e elogios não mais me compram. mas as conversas e risadas me deixam sempre querendo mais. a minha parte eu quero em afeto. te devolvo em abraços. quer meiar comigo um bilhete da mega-sena? de repente, ganhamos e viajo com você. e aquilo tudo que vai ficar na tua cabeça como perspectiva, acaba ficando na tua memória como lembrança. me namora agora que estamos juntos. senão não vai haver história entre nós, não teremos história pra contar amanhã, imagina. que vida besta. quando eu te acho, você já está com tudo pronto pra se perder de mim. são longuinho, são longuinho, pra que tanta perda? o meu escapulário arrebentou outro dia e ainda bem que eu tinha outro pra substituí-lo. porque se, com o escapulário, eu consegui te achar e e não saber de você, imagina se eu estivesse sem! sim supertições talvez ajudem, embora tantas vezes atrapalhem. meu pescoço a prêmio só quer você me tocando assim, como a colher vai no fundo do pote do iogurte batavo pra aproveitar até o fim. até o fim fica comigo. me namora antes que o dia se acabe e tudo não passe de mais uma vontade.

vamos passear juntos?

Eu acabei de ter uma idéia. Vamos passear juntos, o roteiro você escolhe. Mas eu queria sentar com você naquela pracinha perto daquela rua e vamos ficar vendo o tempo passar, o tempo da vida, o tempo do tempo e assim eu tento decifrar o tempo de voê. Eu tive uma idéia. Senta comigo num daquele bancos que tem atrás do Congresso Nacional? Eles lá dentro discutem a Proposta de Emenda Constitucional nº 40 e nós lá fora vamos falar da proposta de emenda pior do que o soneto, das respostas que eu lhe devo em vista de tantas perguntas que você tem a me fazer.
Então ficamos combinados assim. Sentados no banquinho, eu pergunto, você responde. Nos 3 poderes, invertemos os papéis. E depois, na Chapada, a gente senta no alto do Morro do e fica vendo aquela vista surreal, bem da pontinha que se a gente se desequilibrar, meu Deus, em vez de cair, a gente vai é subir mais, direto pro céu.
Tem tanto assunto pendente. Vai faltar BR pra gente rodar enquanto conversa. Uma paradinha na praia então. Vamos descansar disso tudo, ver aquele mar verde, com cuidado pra não se deixar levar pelo paraíso. Dirige você agora, eu já tô descadeirada. Eu lembro, você acho que me queria, eu exitei e disse que não, nem isso, simplesmente ignorei que te vi. Mas adianta explicar isso agora? Me dá aqui esse volante, pode ficar com o resto. Eu acabei de ter uma idéia.
Já sei, já inventei. Vamos nos embrenhar no Goiás, onde o que é menos, é mais! Quem disse que lá só tem plantador de tomate que vira cantor sertanejo? Quero saber quem foi que disse isso, você sabe? Okay, a idéia não é boa. Mas o que custa tentar?
Vamos, volta. E eu prometo em troca passear à noite com você em um lugar assim, de um jeito assim, comer uma pizza e navegar na internet lendo besteiras cybernéticas. Eu prometo mergulhar no meio, bem no meio do seu azul, do seu Poço Encantado, sem snorkel nem máscara, prometo morrer afogada e não falar mais nada.
Só mais uma coisa. Eu prometo viver pra sempre com você no pôr-do-sol do JK. Eu acabei de ter uma idéia. Me cala conferindo se é mesmo bom, ou mais o menos o beijo que eu não sei se agrada. Eu tive uma idéia. Vamos passear juntos, o roteiro você escolhe.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

hou hou hou

novamente o fim chegou tão rápido quanto o fim passado, cada vez menos percebemos que os dias foram ultrapassados velozmente, que as folhinhas do calendário mudaram e o mês doze já passa atribulado em nossas vidas.

renovar é a palavra de ordem, jogar fora aquilo que não mais nos serve e partir em busca do que é novo. os mesmos projetos de ter planos para trilhar mais 365 dias de existência. algumas metas são alcançadas logo de início, no auge da excitação em que os fogos de artifício estrondam em nossos ouvidos, outras são esquecidas, por vezes lembradas, mas nem sempre objetivadas, fazendo parte novamente do check in do novo ano...

vai saber o porque que nos tornamos mais sensíveis e talvez até mais sensatos quando dezembro bate em nossas portas, o importante é sabermos aproveitar esse sentimento de compaixão, sem demagogia, sem hipocrisia e tornamos realmente algo que nos guie não apenas no auge do grau etílico ou da emoção, mas sim por vários momentos de uma nova caminhada. ainda que essa seja simbólica e marque apenas novos anos, novas décadas, novas eras...

a questão é que, invariavelmente, em dezembro nos tornamos mais abertos e a vontade de agradecer os tempos passados florece.

sendo assim, aqui estou para agradecer aos que puderam participar novamente de mais uma trilha comigo. sejam companheiros distantes, velhos, novos, ausentes, presentes... todos que de alguma forma, ao dividir momentos de sol ou tempestade, me trouxeram alguma lição. todos sabem verdadeiramente seus valores, suas importâncias, mesmo que em graus distintos, de maneiras diversas, com intenções diferentes.... mas que têm verdadeiro significado e valia, distintos, mas têm e o sabem.

que os erros sirvam de aprendizado, as mágoas por mais encravadas que sejam possam ser dilaceradas, que o companheirismo e a boa fé não sejam apenas clichês de discursos montados. invariavelmente, independente de crenças ou convicções.... sejamos melhores, para melhores sermos!

um ano bom, uma vida boa com sentimentos e sensações ainda melhores para todos!


feliz ano, ano feliz!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

dezembre-se!

e faltam 30 dias pra novos dias.
um novo dia se dá toda vez que abrimos os olhos ao acordar, mas curiosamente eles não fazem tanto sentido quanto aquele em que à meia noite, fogos e mais fogos pipocam no céu, estrodam no ouvido e tudo vira festa assim como uma final de copa do mundo.
nesse mês, inexplicavelmente um sentimento de compaixão brota um dia ou outro, por alguns segundos ou por uns bons dias, no coração dos indivíduos que durante o ano todo guardaram tudo que lhes afligia...
durante os trinta e um dias do último mês de um ano velho, brotam esperanças, sentimentos, planos e expectativas para que no novo ano, os dias sejam melhores e a dores sejam menores...
vai saber se o universo todo conspira pra que pelo menos o ar fique menos pesado e que todos possamos fingir em um mês, que somos pessoas do bem, que estamos contentes com tudo que fazemos e temos, que nossas mágoas foram esquecidas e que estamos prontos, dispostos a zerar os contadores e seguir como uma nova e verdadeira caminhada.


dezembro conspira para pessoas esperançosas, esperanças conspiram para um dezembro dessas pessoas.

e você, conspira pelo que?
dezembre-se!

segunda-feira, novembro 27, 2006

motivos

as coisas têm mudado, mas continuam sempre as mesmas, como um ciclo...

a aparência de que os dias são mais demorados volta no ar, às vezes isso irrita. irrita por saber que nada pode ser feito para mudar. mas ainda sim, parece ser menos cruel como antes.

há novidades, mas elas aparecem recheadas de velhas dúvidas e situações constrangedoras.

notícias são dadas a todo tempo e nelas nada que possa transformar verdadeiramente a semana, a minha vida e a sua vida continuam separadas e o que mais quero saber é o que é, ou quem é você que se esconde assim maliciosamente.

a sensação de perda, por mais que não me afete diretamente, fez pensar bastante sobre o ser.
a dúvida não existencial, mas sim de existência. até quando podemos existir e até onde podemos ir, fazer ou acontecer? penso, repenso, deixo de lado e volto a pensar...

palavras ditas por alguém que nunca vi, mas que deixou um legado que hoje se propaga por aí por modismo talvez, mas que propaga e é esse o intuito da vida, propagar seja como for, para que for... palavras que suponho ter surtido efeito contraditório em minha mente, mas que suponho ser benéfico.

existir até que ponto, para qual sentido.

seja lá como viemos todos parar aqui, essa não é uma viagem de fim de semana. longos dias, horas estáticas ou até mesmo passagens rápidas de situações inesperadas, nada deve ser feito por assim fazer. em tudo existe sentido, e mais do que nunca isso me martela na mente....

motivos.

e é assim...

eu pensei em estar aí, aí onde posso querer estar a qualquer hora que a imaginação simplesmente indagar.

pq aqui e não aí, do seu lado, mesmo não sabendo em que lado e para que poderia estar?

aqui os dias são corridos, tão corridos que quando posso mal consigo imaginar motivos para ainda seguir assim...

loucura poder num piscar de olhos, conhecer o novo e ainda assim continuar como desconhecido. passear calmamente, precisando cada detalhe de um lugar diferente que te faça sonhar, mesmo que acordado.

entre nuvens ver tudo como uma maquete, como uma brincadeira de lego em que se constrói castelos inatingíveis num mundo onde é praticamente impossível não ser feliz.

quinta-feira, novembro 09, 2006

sem explicação

naquele quarto haviam pedaços de você, cada objeto me fazia lembrar de seus gestos, suas frases feitas, sua mania de querer saber de mais.

seus gostos impressos no lixo transbordando. o papel azul do chocolate preferido, papéis rasgados de idéias confusas, latinhas das bebidas que lhe faziam gosto...

eu como um detetive, analisava cada evidência para tentar enteder os motivos, seguir pistas, desvendar o mistério que envolvia você.

o dia em que você desapareceu, não havia tristeza alguma no ar. a noite juntos tinha sido perfeita, nos mínimos detalhes, nas frases feitas clichês que sempre cabiam bem em todas as horas, as flores, as danças, os flertes... nada, absolutamente nada era motivo de discussão e queixa. apenas sorrisos singelos, gargalhadas estrondosas, gemidos e sussurros...

tudo parecia ainda estar lá, assim como parecia que você estava apenas no chuveiro, a ducha entreaberta deixava cair algumas gotas d'água... nada de você, você em nenhum lugar, apenas fragmentos sem explicação....

quarta-feira, novembro 08, 2006

cabeçum latium

Cabeça (ê) [Do lat. capita.] S.f. 1. Parte superior do corpo dos animais bípades e a anterior de outros animais... 4. Prudência, juízo,tino... 5. Inteligência, talento...6. Lembrança, memória...7.Raciocínio, elucubração, imaginação... 9. Pessoa ou animal considerado como unidade... 12. ... 18. ... 22. ... 25. ...
Já pegou um dicionário e foi ver o quão denominada é essa palavra?Pois bem, então o faça.
Cabeça, caixola... Denominada como parte qualquer de um corpo vão, corpo sedento não significa cabeça estática.
Cabeça que até quando em repouso está em movimento, sonhos afinal brotam de onde?Pequena caixa, dura, encoberta, por dentro depósito de idéias.
Local primordial da existência de um ser, coração pulsando a mil dependendo de uma mente estagnada é caso perdido. Jogue fora um bilhão de músculos, tecidos, veias, órgãos se a cabeça já não responde.
De onde vem toda a denominação se você é ou não um ser "normal". Se seus preceitos são ou não bem avaliados por quem jura ter a "cabeça no lugar". Em caso de loucuras arrependidas, basta dizer não sei onde estava com a cabeça... Pronto! Mais uma prova de que ela é sua dona.

Cabeça que guarda seus conhecimentos, dos mais vãos aos mais concretos. Tome uma pancada na cabeça e apenas pense em esquecer tudo aquilo, ou apenas parte do que está lá guardado. Caixa preta do ser humano, cofre do saber. Resgate dos fatos tão longínquos...Neurônios, estímulos, combinações químicas invisíveis capazes de fazer brotar loucuras. Fórmulas mágicas, palavras sensatas, dizeres apaixonantes... Tudo por conta de uma tal cabeça que insiste em trabalhar em ritmo frenético.

Chama-se cabeça daquela que muito ou pouco pensa, o cabeça, a cabeça,tantas outras cabeças...Dentro da sua, da minha, de todos... Milhões de pensamentos como trabalhadores escravos, sem um minuto de descanso, por puro prazer é claro.

Sua mente, por tanta gente julgada assim tão inoperante, pulsando vida, jorrando sonhos, anciando esperança...

28/04/05



¨guardado aqui pra não perder mais

nossa última garrafa

quando tomarmos aquele vinho que nos prometemos há um bom tempo, aí sim tudo seria como imaginei.

você chega em meu apartamento pequeno, esprimido e cheio de lembranças de viagens, trazendo a garrafa que me prometeu quando nos conhecemos. na sala, um tapete felpudo, algumas almofadas, velas iluminam e dão um ar de fascinação, a trilha sonora é aquela que sempre comentávamos durante as conversas intermináveis por telefone.

não acredito que finalmente, finalmente estamos juntos. mesmo que juntos apenas num mesmo ambiente, nossas almas ainda parecem perdidas, em desacerto diante de tanta euforia contida.

a noite é longa, uma garrafa só é pouco para tanta coisa. saímos rumo ao supermercado lá nos abastecemos de novas garrafas, queijos e salaminhos. sempre que via um casal com esses ingredientes na cestinha, na hora do caixa, me batia uma invejinha agradável. logo imaginava qual seria a ocasião que aqueles produtos seriam usufruídos... e agora lá estávamos nós, não como um casal de apaixonados, mas como um casal disposto a encarar o novo. será que alguém ali naquela fila nos analisava e imaginava toda nossa história?

as horas voavam, eu nem notei que era dia. quando você me chamou na varanda para ver o sol nascer, não pude acreditar que já raiva um novo dia... tudo passou tão rápido, mas essencial para ser o que bastava para nós. na varanda, um café, um suco de laranja e toda a correria dos carros não parecia influir em nada em nossa estática.

assim foi e continua sendo até hoje, o último dia de nossas vidas. no fim de uma tradicional garrafa de vinho, se foi também nosso nascer do sol de cada dia. se foi a nossa vida como uma, você se foi e me fez ficar aqui, olhando esse céu sem estrelas, essa casa sem alegria, essa noite sem som...

domingo, novembro 05, 2006

quem sabe um dia...

os dias sem você já não são os mesmos.
as piadas que já não tinham sem graça, hoje se tornam patéticas. tudo bem eu até ria delas, mas hoje, especialmente, hoje, quando completam meses que você me deu um beijo na testa e disse precisar ir, elas se tornam ainda mais idiotas.

o que faz a vida esse vai e volta sem descanso? porque a história com os outros é sempre mais bonita, com uma trilha sonora perfeita e a fotografia digna de oscar?

oscilar entre o alegre e o triste não nos faz pessoas maduras, e sim sofridas. sofrer de amor é algo que nenhum de nós tem como fugir, mas tem como evitar. então porque não evitamos. sem nos evitar, é claro... será tão difícil assim seguir alguma coisa que parecia tão real?

é... sempre falo demais e tomo atitudes inesperadas quando bebo. ainda mais quando estou perto de você. mas é só pra que me note, que me repare. não acredito que nos passamos desapercebidos um pelo outro, é puro teatro. mas não faz sentido quando a trama não tem platéia. somos eu e você apenas, prestes a encenar um enredo do qual o clímax fica a nosso bem querer. seria tão difícil assim?

de fato, penso em você sempre que estou só. ultimamente estar só tem sido constância em meus dias. só comigo e minhas idéias, tento entender pelo menos um pouco de tudo que passou.

não temo uma conversa a pratos limpos, temo apenas nunca poder saber que isso irá acontecer.

você está em mim e por mais que lute, isso não muda assim só com a força do pensamento.

quem sabe um dia....

vida é morte severina

sabe o que é?
é que na verdade mesmo, ninguém sabe com qual finalidade veio a este mundo.


às vezes penso que tenha sido apenas pra acupar espaço, já que nenhuma invenção revulocionária brota de mentes assim como as aneisras insistem em aparecer.
tem gente que faz a diferença, tem gente que simplesmente é diferente. e qual seria a distinção desses dois? sabe-se lá...

já estamos em novembro e o que você fez de proveitoso na vida nesses quase trezentos e sessenta dias? nada! averiguando bem nada é a resposta. você trabalha, paga seus impostos por boa parte desses meses, cobre cheques, anula faturas, segue semestres por obrigação e nada de relevante é posto em destaque.

pensando bem, o seu diploma é um feito? não! é apenas mais um pedaço de papel que pode ir para a parede, ou pode apenas provar aos outros que você é capaz disso ou aquilo. lembra quando seus pais diziam da importância de um segundo grau? é... quando você cumpriu com a obrigação de o terminar ele já não valia tanta coisa assim. sua graduação hoje, o faz um cadinho mais classificado mas não o difere muito.

não eu não sou hippie, muito menos pretendo ser. não prego a sociedade alternativa e muito menos me adaptaria em uma. o problema é que somos apenas mais um nesse mundão véio sem porteira. só não queremos exergar a realidade. como sempre... é mais fácil ludibriar a vida e suas crueldades.

a vida é feliz sim, enquanto nos enganamos com ela. na verdade, a vida é a morte pronta pra dar o bote. engana-se quem se fere com essas palavras...

terça-feira, outubro 24, 2006

nas caixas empoeiradas.

paz.

era todo o seu desejo por esses tempos. não a paz no mundo já tão batida e aclamada pela humanidade. queria a paz de espírito, paz para os espíritos, paz para o seu lar, paz na vida.

não bastassem trincheiras e bombadeios por aí afora. agora a guerra se instala ali ao seu lado. batalhas diárias são travadas da maneira mais cruel possível, no silêncio, no desprezo, na baixaria. não a baixaria de grandes escândalos, da estapeação alheia, mas a baixaria na espionagem, na sabotagem...

sentia que todos os ensinamentos que lhe deram na infância, hoje não vale de nada. está tudo no lixo, inválido, rasgado, picotado. nada mais faz sentido e nem sequer podem lhe cobrar qualquer vírgula. o castelo caiu.

um campo minado. todos os passos que possam ser dados, mesmo que calculados estão prestes a detonar uma bomba cronometrada. a cada hora o desprezo estava mais explícito, a cada dia a dúvida e a busca por um motivo lhe afligia.

o rancor em seu primor, era sua visão naquele ambiente. sentia que ali já não havia paz, já não havia amor, apenas um jogo de gato e rato. abusos diversos, desconfiança acima de tudo. para aquele lugar não queria voltar, por mais que ali fosse sua casa. sabe-se lá porque e quais os fatos que transformaram harmonia em ódio, sim ódio, pois não existe meio termo entre o amor e o ódio. ou se ama, ou se odeia e as cenas vivenciadas fazem crer na segunda opção.

indiferença é o pior dos sentimentos, talvez não para quem sinta, mas para quem sofra. ali todos sofriam com isso, direta ou indiretamente.

apenas se tenta cruzar a fronteira, para ter a paz. como via naquelas fotos de antigamente, no passado cada vez mais distante de tudo e de todos a sua volta...

em fotos de antigamente, guardadas naquelas caixas empoeiradas.

crer ou não crer, eis a questão

um dia tudo se vai, assim como veio. pode ser aguardada, previsível, abruptamente, de repente tanto a vinda como a ida, tem suas peculiaridades.

há os que acreditam ser providência dos céus, do mar, do ar, de algum lugar, alguém de dons incomparáveis e invisível aos olhos tem de se responsabilizar por esses fatos.

justo esses, que julgam melhor delegar "funções" a uma divina providência, acham incabível que alguém ache simplesmente natural surgir ou desaparecer desse globo gigante que chamamos de mundo.

crer. tarefa exercida por tantos desapercebidamente, às vezes é desconhecido por uma minoria. fato é que não crer nesse mundo, gera olhares tortos, críticas desenfreadas.

a questão aqui não é levantar bandeiras de guerra e sim questionar aquilo que lhe é imposto e assim absorvido sem esforço de dúvida. o que você acredita hoje, em algum momento já foi posto em xeque ontem? muitas respostas poderão ser afirmativas negativas. um sonoro não, eu nunca procurei saber... sim, como é mais fácil seguir a vida assim sem duvidar de alguém, é mais fácil também achar que ares, mares ou céus irão traçar expectativas, iniciativas, dar respostas e gerenciar nossas vidas.

creio que crer é cômodo demais...

entre o céu e a terra há mais mistérios do que o mundo acredita, no mundo estamos nós de carne e osso, que a cada minuto nascemos ou morremos por motivos tolos ou complexos. talvez haja um meio termo para que tantas questões assim existam, basta achar vontade e capacidade de descobrir.

domingo, outubro 22, 2006

?

a sensação era de que os dias estavam se repetindo. fatos, histórias, contos, situações, olhares, sonhos... todos eles, aqueles que pareciam não existir mais voltaram à tona.

do futuro ela já não mais planejava, do presente ela se entorpecia, do passado... irritantemente ela desejava a volta.

e foi assim, num piscar de olhos que a serena calmaria se transformou num turbilhão de sentimentos apagados, confusos e desesperados. desespero para entender os porques sejam eles gramaticalmente corretamente dispostos ou não, desespero para ter de novo a felicidade em mãos.

a felicidade, algo abstrato que se faz primordial na vida da humanidade. um invisível que é invariavelmente caçado por pessoas aflitas por estar bem, causando a tristeza de outros em alguns momentos, mas garantindo a si um sorriso de canto e um brilho nos olhos impagável.

ela sentia na memória esse sentimento de felicidade e se perguntava se aquilo era realmente o que ela imaginava. hoje, sua vida seguia em rumos certos, tranquilos e suas decisões eram sabiamente bem dispostas, mas algo naquele tempo que ficou pra trás lhe fazia querer um reprise.

a agonia sufocante por uma resposta, lhe persegue pelos dias. sua vida, é sim como imaginava, talvez com cores não tão vibrantes, com emoções que não dariam um bom roteiro em hollywood, mas ela sabe que nos dias atuais sentimentos negativos não envolvem sua rotina, embora torça e muito para que o sol seja radiante e as estrelas brilhem como um dia brilharam no alto de um prédio, numa loucura de amor.

amor, ingrediente que não existe em sua prateleira ultimamente.

terça-feira, outubro 17, 2006

ela e ele

ela sonhava em viver num mundo diferente, não num mundo sem miséria, que isso ela acredita ser irreal demais, quase um paraíso, mas num mundo dela, só dela, em que fosse o centro das atenções em certos dias.

ela sonhava poder acordar a hora que quisesse, na sua casa com dois quartos, uma sala, uma cozinha, um banheiro, uma varanda bem ilumidada e cheia de florzinhas coloridas e um quintal pra lá de grande com uma pscina pros dias de calor, com um puxadinho cheio de almofadas e uma lareira para os dias frios, quem sabe até uma hortinha, apesar dela odiar comidas verdes. em seu quarto, uma cama japonesa, uma arara, um som acompanhado de uma pilha enorme de cds, o que tem dentro daquelas caixinhas? os mais diferentes estilos, mas a maioria daquelas bandas mais loucas que a gente escuta só em filme europeu, francês, indiano, daquelas que tocam naqueles botecos mais esquisitos que só vão os cults egocêntricos da cidade. mas ela gostava tanto, tanto! que quando escutava, se sentia em outra realidade. um mundo seu. só seu... no outro quarto um laptop e várias coisinhas dessas modernas que dão um adianto na vida da gente, esse era um quarto colorido com uma cara de lan house, onde os amigos passavam as noites a beber, fumar e conversar. na sala uma tv e um dvd bastavam, a tela grande parecia cinema, apesar dela quase sempre dormir em filmes e sempre pertubar seus amigos pra contarem o final. na cozinha, tudo do mais prático, afinal ela nunca teve paciência de cozinhar e só achar que a comida dos outros era gostosa, mas a cozinha também viravao recanto dos amigos, sua casa não era sua, era dos amigos que faziam assim, virar a sua casa.

ela sonhava, sonhava só. queria poder trabalhar por uns dias e garantir o dinheiro do mês inteiro, viajava a trabalho, escrevia a trabalho e a vida encantava e confundia sua cabeça...
por aí ela vagava, conhecia, admirava. por aqui ela só viajava, viajava em novos mundos, em outras vidas, na sua realidade.

sua realidade era a que inventava pro momento, como se fosse um item em promoção na prateleira. ela pegava e levava pra si, assim fazia dele o melhor proveito, a sua maneira.

ela sonhava ainda pequenina, com o que o mundo um dia iria lhe oferecer. ele inteiro, todo ele pra descobrir do jeito que quisesse.

sexta-feira, outubro 06, 2006

...

músicas, cartas, fotos, lembranças...
todos eles carregam algo de nós, um pedaço de vida, uma esperança incógnita. existem canções que me fazem ir além daqui, para um lugar que não sei bem onde fica, só sei que trazem uma sensação boa, embora algumas vezes aguniante, angustiante, sufocante.
queria escrever algo sobre isso, algo que um dia, daqui há algum tempo possa ler e compreender ao menos um terço.
a vontade é de escrever apenas reticências, elas transmitem muito do que sinto, do que espero. a vontade de ser além, a dúvida, o vazio.
afinal, que rumo dar a tudo aquilo juntado a lembranças?

quarta-feira, outubro 04, 2006

o futuro foi agora

já dizia lenine, pessoa esperta.

o futuro foi ele não é, muito menos será. com isso percebo que nada é ou deixaria de ser... felicidade, sentimento abstrato. como quando vc aprendeu o significado disso e era tão difícil entender a diferença dele para o real...

terça-feira, outubro 03, 2006

okay, vamos nós de novo para mais uma tentativa de blog.

pois perceba até quando duram as certezas nessa vida.
quando você tem a certeza de que vai caminhar normalmente, com tempo suficiente de fazer tudo o que foi programado, cai aquela chuva e muda todos os seus planos, atrasa seus compromissos e a certeza que você tinha de que tudo estaria resolvido, segue o curso das águas para o bueiro mais próximo.
quando você tem a certeza de que vai chegar em casa e após o banho vai se deitar na cama e de lá não levantará até o dia seguinte, o controle remoto simplesmente não responde ao comando, você levanta e vai ligar a tv e ela também não responde, dá-se então a certeza de que mais um gasto além do orçamento deverá ser realizado.
quando você tem a certeza de que haviam notas suficientes para pagar a conta, ao abrir a carteira você nota que faltam míseros centavos que te fazem passar por um constrangimento básico na frente do caixa.
quando você tem a certeza de que seu passeio será o mais tranquilo, por você ter esperado tanto tempo, num céu de um tamanho que mal conseguimos imaginar, vem um pequeno aviãozinho meia boca e faz famílias inteiras perderem o limite entre a razão e a esperança.
quando você tem a certeza de que tem a certeza que buscava por anos em sua vida, percebe que é tarde demais....