terça-feira, maio 06, 2008

...

A vida pode nos dar tantas coisas, o problema é que às vezes nosso horizonte não nos permite enxergar. O mundo é tão grande, as possibilidades são várias, as pessoas são milhares e no peito? Esse hora ou outra só ecoa o vazio.

Essa sensação de angústia teima em reaparecer, parece que cada vez com um pouco mais de intensidade.

O medo é de que se prorrogue, se prolongue, se espalhe. A vontade é de sentir o dia leve, o coração tranquilo.

Tantas pessoas fazem parte de uma história que às vezes parece tão solitária. Qual será o motivo? Ele ou você, vai saber...

quarta-feira, abril 02, 2008

pequeno quadrado de concreto

antigamente era uma sala, pequena e estreita somente com duas mesas e dois computadores em cima, um armário e duas janelas. nela as oito horas da jornada de trabalho passavam suavemente, mesmo que às vezes lenta demais para a pressa de se continuar o dia com outras atividades. o clima era ameno, as conversas eram diversas, sem receios nem preconceitos.

um dia, tudo mudou. havia uma nova pessoa nesse setor que por acasos da rotina tornou-se a maioral. a sala aumentou poucos metros e agora eram quatro mesas e quatro computadores. em pouco tempo, essas outras duas mesas já estavam ocupadas. no começo o clima era o mesmo, o mesmo não, parecido. ameno e parcialmente agradável. com os dias a percepção de que não somente a aparência física da sala mudou. os três novos integrantes desse pequeno quadrado de concreto eram diferentes, muito diferentes.

o observação alheia sempre foi uma constante e com isso a descoberta de que novos tempos, de fato, se aproximaram.

uma pessoa fazia questão de sempre, ao chegar, armar um sorriso largo e nítidamente forçado, que ela julgava contagiar ou até mesmo enganar os outros. engraçado era que aquilo parecia nunca enganar, desde o princípio de toda a transição. o sarcasmo era elemento constante, a mania de resmungar palavras soltas em voz alta também, as piadinhas com os outros e dos outros não fugiam à regra. percebia-se uma vontade, enorme, de sempre estar no topo, em destaque. um pé atrás, sempre era a recomendação.

outra havia chegado um pouco depois. parecia-se muito com a anterior. mas existem itens a acrescentar: mal humor nítido, prepotência e um olhar dilacerador ao modo de vestir alheio. não se sabia ao certo a que "ala" pertencia, causando um certo mistério e até deixando por opção a distância.

a terceira era praticamente um peso morto. não falava e quando se atrevia a isso balbuciava poucas coisas sem nexo. não se sabe ao certo para onde vai, só de onde veio e de lá não fazia muita diferença. certas vezes erros tolos, por pura desatenção causavam reboliço. talvez seja por isso a sua quase inexistência.

desconforto era a sensação mais intensa, falta de paciência vez ou outra. só não havia mais vontade de estar ali. a readaptação tem sido difícil, assim como a possibilidade de explorar novos ares.

dia-a-dia comercial talvez seja mais difícil do que se imagina, ou será que o cansaço nos faz ficar menos suportável?

terça-feira, abril 01, 2008

as coisas simplesmente acontecem...

vagando pela internet, nessa imensidão de letras perdidas entre blogs e mais blogs, tento salvar minhas horas de tédio. um erro eu sei, deveria estar estudando. acontece que existem aqueles dias que insistem em não nos animar e infelizmente eles têm sido muitos. não que a vida esteja ruim, somente não dá vontade de levar à sério o que deveria.
insisto em dizer, a quem mereçe saber, que sou uma manteiga muito mais que derretida. sei que faço questão de mostrar o contrário, talvez seja aquele papo de auto-defesa. acontece que nesse mundão virtual sem porteira, vira e mexe eu descubro coisas legais.
hoje descobri um blog materno, um blog cheio de carinho, de emoções, de esperanças. lendo as primeiras páginas, pensei que fantástico deve ser ler isso quando maior, o receptor do blog claro. que coisa fantástica deve ser ler um relato diário de sua mãe, contando o que ela sentiu com cada descoberta sua, com seu desenvolvimento, com suas brigas e tudo aquilo que o tempo faria sumir das lembranças remotas.
dentro de cada post percebi um enorme carinho, pelo filho, por todos que vivem em sua volta. uma linguagem sincera, inteira...
certas coisas, como essa, fazem meu coração ficar molim. como a letra do trio forrozão "meu coração é feito de manteiga ou de pudim? molim, molim, molim" a cada página meu interesse em desvendar a vida daquele pequeno desconhecido era maior e as lágrimas em meus olhos teimavam em querer aparecer.
não sonho em ter um herdeiro, ou uma herdeira. até agora os coitados só poderiam herdar dívidas e uma vida apertada, mas tenho certeza de que amor, muito amor não faltaria. gestos como esse de uma mãe inteira ao seu filho, nesse mundo de besteiras virtuais, se entregando nas palavras mais belas ao seu filho e a quem quiser saber... isso me faz pensar no que meus pais deviam pensar quando eu ainda era uma bolota chorona. isso me faz entender que o amor deles é incomensurável e que nada nesse mundo vai me fazer entender isso plenamente, não enquanto eu não pensar em uma bolota chorona em minha vida.

ah sim, o tal blog:
http://parafrancisco.blogspot.com/

terça-feira, março 25, 2008

estacionada.

Terminada a jornada de quatro anos em busca de um diploma eu já não sei mais o que fazer. Engraçado como se passa tanto tempo a espera de um resultado que simplesmente não se enxerga. Existem vários caminhos, mas nenhum deles desperta o espírito desbravador.
Sei que não sou a única a me sentir assim, mas isso não alivia a sensação de estar perdida.
A necessidade de escrever há muito não me angustia mais e isso é preocupante. Não me sinto capaz de fazer uma reflexão fundamentada em algo relevante. Inércia... Estática inércia.

quinta-feira, março 06, 2008

gaveta do vizinho...

é incrível a capacidade de um ser humano arranjar motivos para entrar na sua vida sem permisssão. e não falo de paixão, falo de intromissão, falta de noção, petulância e afins.
não se pode viver em paz, sem que em algum momento alguém abra a porta de sua intimidade e se ache no direito de mexer em suas gavetas.
respeito aos seus princípios, à suas idéias, às suas decisões. nada disso importa ao próximo, que às vezes nem é tão próximo, mas faz questão de interferir na sua rotina, nos seus atos.
o fato de penetrar na vida do outro, deve realmente trazer mais prazer do que se ater aos próprios problemas. afinal manter uma casa em ordem dá muito trabalho, mais fácil é sujar a louça do vizinho...
acontece que um dia alguém perde a paciência e normalmente não é quem invade e sim o invadido, aí as comportas da convivência pacífica se abrem... a enxurrada de coisas entaladas na garganta tem uma força descomunal e disso, ninguém quer saber, mas também não deveria pagar pra ver.

terça-feira, novembro 27, 2007

do esquecer..

lembrei do que me esqueço...
me esqueço de beber água, pois a falta de gosto dela não me agrada e ainda tendo um copo ao alcance de minhas vistas, oito horas por dia, eu esqueço do quanto ela é necessária.
esqueço do quanto era bom, rotineiramente, despejar um turbilhão de palavras num papel em branco após o almoço para esvaziar a mente. talvez até tenha esquecido como se faz para ter satisfação por aquilo que se escreve, como se faz para ter vontade de que seus escritos sejam lidos, como se faz para questionar fatos cotidianos e deles esclarecer sem mais nem menos os motivos de inquietações.
já esqueci o quanto tinha disposição para suar, malhar, correr, treinar... ter a maior vontade que os dias do judô chegassem logo. esqueci que o kimono debaixo do braço era motivo de orgulho ao pegar o ônibus e atravessar o eixo monumental no sol de duas da tarde e ainda assim nem ligar para o calor.
esqueci o quanto era bom ir acampar no final de semana, passar frio, comer verdadeiras gororobas, virar noites em claro, bolar jingles e esquetes idiotas mas que nos divertiam e ainda acordar cedo na segunda-feira, com o corpo dolorido, as mãos cheias de bolhas por fazer amarras, uma cara de quem foi atropelada e mesmo assim querer que a dose se repetisse logo no próximo fim de semana.
esqueci o quanto tinha graça rabiscar a camiseta do colégio no fim do ano letivo, mesmo que ao chegar em casa levasse uma bronca da minha mãe pelo o uniforme ser o mesmo do próximo ano.
esqueci que não precisava mais de dez reais no bolso para que uma saída no fim de semana fosse memorável. que catuaba é ruim, mas com ela a necessária vontade de estar alcoolizada era resolvida.
esqueci o quanto a paquerinha de criança é gostosa, das cartinhas envergonhadas, da inocência disso tudo.
também me esqueci do quanto não ter responsabilidades é bom e que querer ter dezoito anos logo, só pra tirar cateira é uma bobagem sem fim.
esqueço todos os dias, de atentar-me aos meus pais e dar mais importância ao que eles dizem, mesmo que o discurso seja igual. esqueço de pensar o quanto eles fizeram e ainda fazem por mim, deixando de lado, às vezes, grande parte de suas vontades para me dar uma vida melhor do que a que eles tiveram, mesmo que isso seja o master do clichê.
esqueço de prestar atenção nas coisas pequenas, nos detalhes que fazem um dia, uma vida, uma relação melhor. esqueço de me priorizar nos aspectos mais relevantes deixando o que o mais cômodo tome conta.
esqueço de lembrar o que não posso esquecer...

terça-feira, novembro 13, 2007

dose

era um vazio que tomava parte do peito. metade era alegria, metade era inquietação. seria mesmo o que acreditou ser?
a vontade de estar junto crescia, mas logo alguma frase mal dita colocava os pensamentos em xeque. para a vida queria sempre ser assim, um pouco dominante, um pouco dominado. mas de uns dias para cá, ele pensou estar sendo invadido de um sentimento de posse. uma obsessão.
não sabia lidar com o coletivo e com o seu. por vezes se pegou a imaginar como naquele relacionamento anterior, que a todos dizia ser doentio, quando acabou é claro. seria mais um mergulho de cabeça no descontrole ou seria somente falta de traquejo na relação?
e os sentimentos se misturavam, se confundiam, o confundiam principalmente...
para estar junto, também é preciso estar só. e para ele, algumas vezes a solidão era fundamental, mas para ela não fazia sentido algum.
estar só, estar junto. afinal qual a dose certa para que tudo isso se complete junto ao amor, ao desejo....
não descobriu, mesmo passando noites a pensar o que se tornou um vício. vício agora que se alimentava doentemente de boas doses de pílulas para dormir.
dormir só.... só dormir....