terça-feira, outubro 24, 2006

nas caixas empoeiradas.

paz.

era todo o seu desejo por esses tempos. não a paz no mundo já tão batida e aclamada pela humanidade. queria a paz de espírito, paz para os espíritos, paz para o seu lar, paz na vida.

não bastassem trincheiras e bombadeios por aí afora. agora a guerra se instala ali ao seu lado. batalhas diárias são travadas da maneira mais cruel possível, no silêncio, no desprezo, na baixaria. não a baixaria de grandes escândalos, da estapeação alheia, mas a baixaria na espionagem, na sabotagem...

sentia que todos os ensinamentos que lhe deram na infância, hoje não vale de nada. está tudo no lixo, inválido, rasgado, picotado. nada mais faz sentido e nem sequer podem lhe cobrar qualquer vírgula. o castelo caiu.

um campo minado. todos os passos que possam ser dados, mesmo que calculados estão prestes a detonar uma bomba cronometrada. a cada hora o desprezo estava mais explícito, a cada dia a dúvida e a busca por um motivo lhe afligia.

o rancor em seu primor, era sua visão naquele ambiente. sentia que ali já não havia paz, já não havia amor, apenas um jogo de gato e rato. abusos diversos, desconfiança acima de tudo. para aquele lugar não queria voltar, por mais que ali fosse sua casa. sabe-se lá porque e quais os fatos que transformaram harmonia em ódio, sim ódio, pois não existe meio termo entre o amor e o ódio. ou se ama, ou se odeia e as cenas vivenciadas fazem crer na segunda opção.

indiferença é o pior dos sentimentos, talvez não para quem sinta, mas para quem sofra. ali todos sofriam com isso, direta ou indiretamente.

apenas se tenta cruzar a fronteira, para ter a paz. como via naquelas fotos de antigamente, no passado cada vez mais distante de tudo e de todos a sua volta...

em fotos de antigamente, guardadas naquelas caixas empoeiradas.

crer ou não crer, eis a questão

um dia tudo se vai, assim como veio. pode ser aguardada, previsível, abruptamente, de repente tanto a vinda como a ida, tem suas peculiaridades.

há os que acreditam ser providência dos céus, do mar, do ar, de algum lugar, alguém de dons incomparáveis e invisível aos olhos tem de se responsabilizar por esses fatos.

justo esses, que julgam melhor delegar "funções" a uma divina providência, acham incabível que alguém ache simplesmente natural surgir ou desaparecer desse globo gigante que chamamos de mundo.

crer. tarefa exercida por tantos desapercebidamente, às vezes é desconhecido por uma minoria. fato é que não crer nesse mundo, gera olhares tortos, críticas desenfreadas.

a questão aqui não é levantar bandeiras de guerra e sim questionar aquilo que lhe é imposto e assim absorvido sem esforço de dúvida. o que você acredita hoje, em algum momento já foi posto em xeque ontem? muitas respostas poderão ser afirmativas negativas. um sonoro não, eu nunca procurei saber... sim, como é mais fácil seguir a vida assim sem duvidar de alguém, é mais fácil também achar que ares, mares ou céus irão traçar expectativas, iniciativas, dar respostas e gerenciar nossas vidas.

creio que crer é cômodo demais...

entre o céu e a terra há mais mistérios do que o mundo acredita, no mundo estamos nós de carne e osso, que a cada minuto nascemos ou morremos por motivos tolos ou complexos. talvez haja um meio termo para que tantas questões assim existam, basta achar vontade e capacidade de descobrir.

domingo, outubro 22, 2006

?

a sensação era de que os dias estavam se repetindo. fatos, histórias, contos, situações, olhares, sonhos... todos eles, aqueles que pareciam não existir mais voltaram à tona.

do futuro ela já não mais planejava, do presente ela se entorpecia, do passado... irritantemente ela desejava a volta.

e foi assim, num piscar de olhos que a serena calmaria se transformou num turbilhão de sentimentos apagados, confusos e desesperados. desespero para entender os porques sejam eles gramaticalmente corretamente dispostos ou não, desespero para ter de novo a felicidade em mãos.

a felicidade, algo abstrato que se faz primordial na vida da humanidade. um invisível que é invariavelmente caçado por pessoas aflitas por estar bem, causando a tristeza de outros em alguns momentos, mas garantindo a si um sorriso de canto e um brilho nos olhos impagável.

ela sentia na memória esse sentimento de felicidade e se perguntava se aquilo era realmente o que ela imaginava. hoje, sua vida seguia em rumos certos, tranquilos e suas decisões eram sabiamente bem dispostas, mas algo naquele tempo que ficou pra trás lhe fazia querer um reprise.

a agonia sufocante por uma resposta, lhe persegue pelos dias. sua vida, é sim como imaginava, talvez com cores não tão vibrantes, com emoções que não dariam um bom roteiro em hollywood, mas ela sabe que nos dias atuais sentimentos negativos não envolvem sua rotina, embora torça e muito para que o sol seja radiante e as estrelas brilhem como um dia brilharam no alto de um prédio, numa loucura de amor.

amor, ingrediente que não existe em sua prateleira ultimamente.

terça-feira, outubro 17, 2006

ela e ele

ela sonhava em viver num mundo diferente, não num mundo sem miséria, que isso ela acredita ser irreal demais, quase um paraíso, mas num mundo dela, só dela, em que fosse o centro das atenções em certos dias.

ela sonhava poder acordar a hora que quisesse, na sua casa com dois quartos, uma sala, uma cozinha, um banheiro, uma varanda bem ilumidada e cheia de florzinhas coloridas e um quintal pra lá de grande com uma pscina pros dias de calor, com um puxadinho cheio de almofadas e uma lareira para os dias frios, quem sabe até uma hortinha, apesar dela odiar comidas verdes. em seu quarto, uma cama japonesa, uma arara, um som acompanhado de uma pilha enorme de cds, o que tem dentro daquelas caixinhas? os mais diferentes estilos, mas a maioria daquelas bandas mais loucas que a gente escuta só em filme europeu, francês, indiano, daquelas que tocam naqueles botecos mais esquisitos que só vão os cults egocêntricos da cidade. mas ela gostava tanto, tanto! que quando escutava, se sentia em outra realidade. um mundo seu. só seu... no outro quarto um laptop e várias coisinhas dessas modernas que dão um adianto na vida da gente, esse era um quarto colorido com uma cara de lan house, onde os amigos passavam as noites a beber, fumar e conversar. na sala uma tv e um dvd bastavam, a tela grande parecia cinema, apesar dela quase sempre dormir em filmes e sempre pertubar seus amigos pra contarem o final. na cozinha, tudo do mais prático, afinal ela nunca teve paciência de cozinhar e só achar que a comida dos outros era gostosa, mas a cozinha também viravao recanto dos amigos, sua casa não era sua, era dos amigos que faziam assim, virar a sua casa.

ela sonhava, sonhava só. queria poder trabalhar por uns dias e garantir o dinheiro do mês inteiro, viajava a trabalho, escrevia a trabalho e a vida encantava e confundia sua cabeça...
por aí ela vagava, conhecia, admirava. por aqui ela só viajava, viajava em novos mundos, em outras vidas, na sua realidade.

sua realidade era a que inventava pro momento, como se fosse um item em promoção na prateleira. ela pegava e levava pra si, assim fazia dele o melhor proveito, a sua maneira.

ela sonhava ainda pequenina, com o que o mundo um dia iria lhe oferecer. ele inteiro, todo ele pra descobrir do jeito que quisesse.

sexta-feira, outubro 06, 2006

...

músicas, cartas, fotos, lembranças...
todos eles carregam algo de nós, um pedaço de vida, uma esperança incógnita. existem canções que me fazem ir além daqui, para um lugar que não sei bem onde fica, só sei que trazem uma sensação boa, embora algumas vezes aguniante, angustiante, sufocante.
queria escrever algo sobre isso, algo que um dia, daqui há algum tempo possa ler e compreender ao menos um terço.
a vontade é de escrever apenas reticências, elas transmitem muito do que sinto, do que espero. a vontade de ser além, a dúvida, o vazio.
afinal, que rumo dar a tudo aquilo juntado a lembranças?

quarta-feira, outubro 04, 2006

o futuro foi agora

já dizia lenine, pessoa esperta.

o futuro foi ele não é, muito menos será. com isso percebo que nada é ou deixaria de ser... felicidade, sentimento abstrato. como quando vc aprendeu o significado disso e era tão difícil entender a diferença dele para o real...

terça-feira, outubro 03, 2006

okay, vamos nós de novo para mais uma tentativa de blog.

pois perceba até quando duram as certezas nessa vida.
quando você tem a certeza de que vai caminhar normalmente, com tempo suficiente de fazer tudo o que foi programado, cai aquela chuva e muda todos os seus planos, atrasa seus compromissos e a certeza que você tinha de que tudo estaria resolvido, segue o curso das águas para o bueiro mais próximo.
quando você tem a certeza de que vai chegar em casa e após o banho vai se deitar na cama e de lá não levantará até o dia seguinte, o controle remoto simplesmente não responde ao comando, você levanta e vai ligar a tv e ela também não responde, dá-se então a certeza de que mais um gasto além do orçamento deverá ser realizado.
quando você tem a certeza de que haviam notas suficientes para pagar a conta, ao abrir a carteira você nota que faltam míseros centavos que te fazem passar por um constrangimento básico na frente do caixa.
quando você tem a certeza de que seu passeio será o mais tranquilo, por você ter esperado tanto tempo, num céu de um tamanho que mal conseguimos imaginar, vem um pequeno aviãozinho meia boca e faz famílias inteiras perderem o limite entre a razão e a esperança.
quando você tem a certeza de que tem a certeza que buscava por anos em sua vida, percebe que é tarde demais....