terça-feira, novembro 27, 2007

do esquecer..

lembrei do que me esqueço...
me esqueço de beber água, pois a falta de gosto dela não me agrada e ainda tendo um copo ao alcance de minhas vistas, oito horas por dia, eu esqueço do quanto ela é necessária.
esqueço do quanto era bom, rotineiramente, despejar um turbilhão de palavras num papel em branco após o almoço para esvaziar a mente. talvez até tenha esquecido como se faz para ter satisfação por aquilo que se escreve, como se faz para ter vontade de que seus escritos sejam lidos, como se faz para questionar fatos cotidianos e deles esclarecer sem mais nem menos os motivos de inquietações.
já esqueci o quanto tinha disposição para suar, malhar, correr, treinar... ter a maior vontade que os dias do judô chegassem logo. esqueci que o kimono debaixo do braço era motivo de orgulho ao pegar o ônibus e atravessar o eixo monumental no sol de duas da tarde e ainda assim nem ligar para o calor.
esqueci o quanto era bom ir acampar no final de semana, passar frio, comer verdadeiras gororobas, virar noites em claro, bolar jingles e esquetes idiotas mas que nos divertiam e ainda acordar cedo na segunda-feira, com o corpo dolorido, as mãos cheias de bolhas por fazer amarras, uma cara de quem foi atropelada e mesmo assim querer que a dose se repetisse logo no próximo fim de semana.
esqueci o quanto tinha graça rabiscar a camiseta do colégio no fim do ano letivo, mesmo que ao chegar em casa levasse uma bronca da minha mãe pelo o uniforme ser o mesmo do próximo ano.
esqueci que não precisava mais de dez reais no bolso para que uma saída no fim de semana fosse memorável. que catuaba é ruim, mas com ela a necessária vontade de estar alcoolizada era resolvida.
esqueci o quanto a paquerinha de criança é gostosa, das cartinhas envergonhadas, da inocência disso tudo.
também me esqueci do quanto não ter responsabilidades é bom e que querer ter dezoito anos logo, só pra tirar cateira é uma bobagem sem fim.
esqueço todos os dias, de atentar-me aos meus pais e dar mais importância ao que eles dizem, mesmo que o discurso seja igual. esqueço de pensar o quanto eles fizeram e ainda fazem por mim, deixando de lado, às vezes, grande parte de suas vontades para me dar uma vida melhor do que a que eles tiveram, mesmo que isso seja o master do clichê.
esqueço de prestar atenção nas coisas pequenas, nos detalhes que fazem um dia, uma vida, uma relação melhor. esqueço de me priorizar nos aspectos mais relevantes deixando o que o mais cômodo tome conta.
esqueço de lembrar o que não posso esquecer...

terça-feira, novembro 13, 2007

dose

era um vazio que tomava parte do peito. metade era alegria, metade era inquietação. seria mesmo o que acreditou ser?
a vontade de estar junto crescia, mas logo alguma frase mal dita colocava os pensamentos em xeque. para a vida queria sempre ser assim, um pouco dominante, um pouco dominado. mas de uns dias para cá, ele pensou estar sendo invadido de um sentimento de posse. uma obsessão.
não sabia lidar com o coletivo e com o seu. por vezes se pegou a imaginar como naquele relacionamento anterior, que a todos dizia ser doentio, quando acabou é claro. seria mais um mergulho de cabeça no descontrole ou seria somente falta de traquejo na relação?
e os sentimentos se misturavam, se confundiam, o confundiam principalmente...
para estar junto, também é preciso estar só. e para ele, algumas vezes a solidão era fundamental, mas para ela não fazia sentido algum.
estar só, estar junto. afinal qual a dose certa para que tudo isso se complete junto ao amor, ao desejo....
não descobriu, mesmo passando noites a pensar o que se tornou um vício. vício agora que se alimentava doentemente de boas doses de pílulas para dormir.
dormir só.... só dormir....