domingo, maio 27, 2007

Portifólio (1)

Se textos existem é porque devem ser lidos. Resolvi então colocar por aqui alguns escritos feitos para trabalhos acadêmicos. Esse é um deles.

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CATALIZADOR

Cultura de margem
Caminhando por fora, mas não ofuscada, a periferia do DF leva sua arte além dos limites pré-determinados

Por Lali Mariáh
Movimentos sociais partem daqueles que necessitam de sua existência. Os então excluídos surgem agora como formadores de novos ideais, novos seletores de notícia, novos expositores de opinião. Como resiste, insiste e prevalece a cena social na periferia do DF, que se esconde por detrás do reino político dominante na cidade.Há alguns anos atrás, pronunciar Hip Hop era certeza de olhares tortos e preconceitos assumidos. Mas o destaque nacional de alguns rappers, então desconhecidos pela mídia e idolatrados pela massa, fez com que essa imagem começasse a mudar. Em Brasília, para quem vive nas cidades satélites, ou até mesmo participa desse movimento em áreas denominadas burguesas, citar nomes como Mano Brown, Mv Bill, Xis e tantos outros é sinal de respeito. Ao pronunciar Gog, Relato Bíblico, DF Zulu Breakers, Dino Black e outros mais, as palavras são oportunidade e admiração. No Distrito Federal o movimento Hip Hop segue forte, mesmo que ofuscado por tantas vezes, hoje se mostra presente em diversos pontos da capital. As ações promovidas por esses grupos, fazem muito mais sentido do que um simples show de fim de semana. DJ Portela do grupo Relato Bíblico, deixa claro no artigo “Qual o meu papel” do site Real Hip Hop que para ele, não basta jogar mensagens soltas aos ouvidos de quem escuta o som e sim fazer a sua parte, promover a socialização da comunidade, fazer com que as pessoas percebam que o movimento não é só música, grafite e dança e sim resgate, disseminação de informação, cultura de rua pra quem é e para quem se preocupa com ela.De tempos em tempos, campanhas sociais vêm à tona em busca de holofotes. Para o Hip Hop, o que menos preocupa é a exposição. Campanhas diversas acontecem em busca de conscientização, dentre elas coletas de agasalhos para meninos de rua, oficinas de stencil, serigrafia e grafite buscando incentivar os freqüentadores a adquirir conhecimento. Em todo fim de mês, ocorre no Conic o encontro de B’boys, onde além de se divertir, os participantes trocam idéias sobre novos projetos e acontecimentos. Também no Conic, no período de três em três meses, um evento chamado Parabólica, além de movimentar o comércio local oferece aos visitantes uma tarde cheia de eventos. Confronto de B’boys e B’girls, batalha de rimas, além das oficinas de arte, tudo isso de graça, organizado por uma equipe que tem no comando Jenny Choe, no intuito de promover a cultura Hip Hop.Ao que se vê o movimento não é marca, muito menos moda. É cultura do povo, para o povo que dela vive. É despertar para uma sociedade que se isola e prefere não ver que a periferia não é burra e muito menos se cala, a periferia é culta e organizada em busca de dias melhores, pois ela sim assume que em toda quebrada tem sangue bom, sangue ruim, a paz depende de você, a paz depende de mim, Relato Bíblico.

Colaboração:
www.realhiphop.com.br DJ- Portela/Relato Bíblico
Jenny Choe www.fotolog.net/movebsb
www.grafitti.org.br

quarta-feira, maio 23, 2007

dos quereres...

em um outro momento, queria se organizar para poder ter tempo para todos os seus feitos, os seus desejos, os seus medos.
queria poder acordar de manhã com calma, e não pular bruscamente da cama em um ato de desespero. seguir calmamente, despertando conforme o ritmo do dia, apreciando o sabor do café e do pão sem ter que engolir sem tossir, para não se atrasar.
queria estar em todos os lugares que lhe convidam, aproveitando as experiências como devem ser, novas ou velhas.
queria dirigir e não se irritar com quem anda muito rápido e lhe agonia, ou quem anda muito devagar e lhe incomoda por não usar a devida faixa para os carros lentos, queria guiar e observar tudo, meticulosamente.
queria pôr suas idéias em prática, sem que elas se perdessem ou deixassem pedaços com o tempo, queria inovar a sua vida e a vida de muita gente.
queria ver seus amigos, nos devidos ambientes diferentes, da maneira que se merece. com disposição de todos, em alegria plena, sem tempo para discussões de problemas ou tristezas.
queria conversar mais com seus pais, viajar com eles como nos tempos em que suas férias eram programadas com muita antecedência, em que o litoral era destino, por mais que a sensação pregante da água salgada lhe incomodasse.
queria ser quem bem entendesse, sem ligar para o que aquilo pudesse resultar no seu círculo social de trabalho, ou de faculdade.
queria não se entristecer ao ver tristeza nas ruas, nos sinais, embaixo das pontes, nos jornais.
queria ver tv e saber que nada daquilo era mentira, ou por parte parcial, queria saber que a verdade não é vergonha e sim virtude.
queria crer, crer no que fosse, em quem fosse, para nas horas de afliação sentir a sensação de paz que todos dizem conhecer.
queria que tudo que quisesse, dentro da sanidade, fosse possível e não deixasse seu coração apertado por não conseguir abraçar a todas suas vontades.
queria querer, poder querer.

sobre o que dizer...

eu poderia escrever um milhão de linhas como tantos outros já fazem nesse momento, ou como fizeram em tantos outros que esse brasil il il já passou. mas não convém. não agora...

o que me entristece é a mediocrização de certas parcelas do povo, defender quem rouba seu próprio dinheiro não chega a ser burrice, nem tampouco deva existir palavra para tal no dicionário.

não escolhi uma profissão para ter glamour, nem ao menos sei se ela vai me orgulhar tanto quanto dou a sorte de estar nos lugares certos, nas horas exatas. essa escolha com certeza me faz lembrar, a todo momento, de meus pais ao dizerem "ao menos você terá a consciência tranquila quando encostar a cabeça no travesseiro". por isso, mesmo com toda a raiva dos dizeres baixos e atitudes repugnantes vistas hoje, sei que em algum momento o meu papel foi feito e será mais um a passar a mensagem.

a idiotice do povo não me faz rir, muito menos me diverte. cenas como as de hoje, nas quais um bando de desorientados vangloriavam o "sr". pedro passos, um exímio grilador de terras, e seu habeas corpus, transformam minha tristeza em raiva, por ter a certeza de que isso não vai mudar. defender a quem lhe rouba, como se defende um pai ou uma mãe não é atitude de alguém em plena consciência. Essa é a maioria, uma maioria de abilolados...

isso é só um desbafo, mais um desbafo qualquer nesse mundo internético, mas que talvez faça alguns repensarem em seus atos ao lerem os cadernos política, brasil ou opinião nos jornais de amanhã.

s.o.s. brasil. s.o.s. consciência....

terça-feira, maio 15, 2007

dos motivos

como se não houvessem mais horas a seguir, vivi aquele momento como o último. queria ter guardada numa possível memória final, a lembrança feliz, de coisas que pudessem alegrar a mente que até então, estava estafada, alarmada...
em uma sala com duas janelas, uma porta sempre fechada e o tempo frio, os dias passam atribulados. o que vejo são minutos perdidos por uma perpesctiva vã que já não faz sentido, ou será que um dia chegou a ter sentido?
os propósitos não são concretos, mas a vontade. ah, a vontade é de poder seguir enquanto os atos fizerem sentido para o coração e para a mente.
fecho os olhos e penso faltar muito pouco, pouco muito. pouco para mais uma jornada de conhecimentos, muito para descobrir o que fazer dela.
incerteza do quê, pra quê, porque... quero ver quem sabe o bê a bá de tudo isso. quem um dia acordou e soube exatamente o que queria, por onde iria, porque fazia...