quinta-feira, dezembro 28, 2006

in ér cia

inércia.
o relógio não anda, os dias não mudam. está tudo assim parado, cinza e sem graça.
não existem razões suficientes para que se faça aquele ritual diário, o trânsito é em vão, o mundo por um clique já não é convidativo, o telefone que pode ser um elo se faz um instrumento morto...

que graça há nos dias em que o fim do ano chega? eles eram esperados demais e agora que estão aqui, só irritam e trazem tédio.

a vontade era de voar pra longe, onde os desejos guardados na mente e no coração pudessem ser libertos e assim, fantasiar os dias.

engraçado é notar como toda vez a ilusão toma conta, persevera e faz crer que mudanças são realmente mudanças. mas não, elas não passam de ilusões da mente. os números mudam, os nomes mudam, as faces e os jeitos, mas a história se repete. inexplicavelmente se repete e ainda nos pega como tolos, que acreditamos estar ali um bom motivo para se olhar com outros olhos e fazer valer a pena.

vontade dá e passa, uma lástima.
pois eu tive vontade de fazer uma história melhor, mas de que adianta escrever páginas assim tão só.
tão somente na vontade de querer mudar, melhorar e não conseguir...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

dentro de um estojo

queria eu poder fazer os dias do meu jeito. tirar de dentro do meu estojo as armas que fizessem as horas, as situações, os pensamentos um tanto menos complicados e mais diretos.
como com lapiseiras, que se escreve por não ter certeza do que virá, se calcula sempre sabendo que se pode errar e ainda assim não temer, pois ali do lado existe uma borracha que pode tudo apagar, e num assoprão o que era falho voa pra longe e se começa tudo de novo, ou até mesmo quando a carga acaba acrecenta-se mais um palito de grafite e desanda a escrever, calcular, prever... novamente.
como com canetas coloridas, dividindo a folha em tópicos, títulos, observações. cada coisa em sua categoria de importância, sublinhada, assinalada, em uma cor que diferencia seus valores e seus respectivos sentidos. disposta em uma folha assinalada regradamente, quem sabe assim a vida ainda que moldada, teria mais fluência.
como com canetinhas hidrocores, que contornam idéias dispostas a fluir como desenhos, rabiscos, códigos. mas que estão ali, para serem decifradas como bem pudessem por qualquer um que passar... sem demasiadas explicações, somente ali.
como com giz de cera ou lápis de cor, que preenchem de maneira uniforme aquele traçado, somente dando mais intensidade no que fora desenhado. para que não se passe assim, vago e sem conteúdo, sem graça, sem intenção.
dentro do meu estojo poderia haver a solução para a inquetudes da mente, cada objeto diposto ali dentro poderia substituir toda essa massa cefálica e aí sim fazer algum sentido.
interrogação, provação, argumentação... a todo momento, como se para viver fosse preciso mesmo alguma direção e não bastasse simplesmente fluir, categoricamente, como cada objeto e sua função guardados dentro de um estojo.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Sim, eu vou desse jeito, apesar de tudo.

Não com 100% de coragem, sempre com um pé atrás tentando prever o futuro de primeira, na primeira, tem sempre um frio na barriga, um tremor que só eu noto, às vezes pesadelos de olhos bem abertos.
Mas eu vou assim mesmo.
Medo maior tenho de acomodar e virar concreto armado, plástico, aroma artificial com corante, aquela coisa sem graça, sem sal nem tempero, que pouco faz diferença no dia-a-dia. Porque eu sangro, suo e choro, escorro em líqüidos reais fabricados por sensações reais e sou real mesmo quando plebéia, em mero segundo plano das intenções alheias.
Sinto muito, eu sou de verdade e sem conservantes e aromatizantes.
Não adianta procurar meu mapa e querer saber o nome das minhas ruas as coordenadas do GPS, o CEP, os facilitadores... É assim que as coisas fluem, se você me tem me faz decifrar, o problema é eu me achar em você, isso sim é o beco da rua sem número.
Pra me penetrar tem que ser no instinto e no sentimento. Tem que saber se orientar pelas estrelas e pelo faro, pelo agrado, pela situação, de palavras eu já estou cheia, tenho um dicionário na prateleira que não me serve para nada, muito do que existe ali dentro já foi gasto em vão. É assim senão você se perde - ou me perde.
Meu coração não é urbanizado. Tem leão, formiga, hipopótamo, joaninha, hiena, borboleta, elefante e minhoca. É aquela coisa de reino encantado, fábula, lenda, mito só acreditando pra entender o sentido. Aqui não dá pra fugir da lama, é pra correr descalço e sujar os pés. Não sou banquete, sou pra comer com as mãos, entende? Então essa delicadeza ensaiada e formal não me fala, nem me cala. Delicado pra mim é pinguinho de chuva na bochecha, é brisa levantando três mechas de cabelo, é gargalhada de criança, não tem nada a ver com usar os talheres certos.
Pra mim o cheiro da pele tem mais importância que o preço do perfume, pra usar em volta do corpo sou mais um abraço que uma roupa cara com intenções baratas, o brilho do olho faísca sempre mais que o diamante. Eu gosto de andar perdida pela casa. Mas eu quero andar certeira pela sua vida.
Selvagem? Sua civilização tem feras muito mais perigosas. Cuidado. Elas são traiçoeiras. Na minha selva, que te aflige, é sempre olho no olho. Nada de dircusinho barato ganhador de frase do ano. Aqui eu quero é ver quem vai piscar primeiro.

subversão

Fiz um outro amor de papel. No dia em que eu dobrava o anterior, retirava a tirinha do envelope como fosse brincadeira. O próximo. Daí que não era um bom nome. Depois pensei: e qual deles algum dia teria sido bom nome? Fiquei brincando com o nome dele entre os meus dedos. E meu sorriso encontrando o dele pelas esquinas o tempo todo. E as vontades saindo de trás das árvores sob o sol das duas da tarde. Está todo mundo olhando, eu pensava. Ele nem ligava. Ligava, sim. De hora em hora. E eu deitada sobre o tapete da sala respondendo risadas indecentes. Entrava no banho e gritava com o sabonete que insistia em me lembrar que aquele não era um bom nome. Dane-se. Me faz feliz. Tenho tantas risadas esparramadas pelo tapete que ninguém acreditaria. Talvez seja esse o problema, elas ficam ali cravadas no chão que todos pisam, passam por cima e nem notam, equanto eu as vejo saltitantes, radiantes, me mostrando que fazem parte de um passado e não de um presente que tanto quero e tento encontrar. Sim, eu não acho e finjo. Então minto. Esfrego os olhos e digo que chorei a noite inteira.

me namora um tanto agora?

larga o teu rolo sério, o teu namoro precário e vem passar comigo os teus próximos 30 dias nessa vida. se não houver futuro algum, você nem sabe, nessa nossa relação súbita e rápida. mal nos conhecemos de fato, mas os beijos compensam. e elogios não mais me compram. mas as conversas e risadas me deixam sempre querendo mais. a minha parte eu quero em afeto. te devolvo em abraços. quer meiar comigo um bilhete da mega-sena? de repente, ganhamos e viajo com você. e aquilo tudo que vai ficar na tua cabeça como perspectiva, acaba ficando na tua memória como lembrança. me namora agora que estamos juntos. senão não vai haver história entre nós, não teremos história pra contar amanhã, imagina. que vida besta. quando eu te acho, você já está com tudo pronto pra se perder de mim. são longuinho, são longuinho, pra que tanta perda? o meu escapulário arrebentou outro dia e ainda bem que eu tinha outro pra substituí-lo. porque se, com o escapulário, eu consegui te achar e e não saber de você, imagina se eu estivesse sem! sim supertições talvez ajudem, embora tantas vezes atrapalhem. meu pescoço a prêmio só quer você me tocando assim, como a colher vai no fundo do pote do iogurte batavo pra aproveitar até o fim. até o fim fica comigo. me namora antes que o dia se acabe e tudo não passe de mais uma vontade.

vamos passear juntos?

Eu acabei de ter uma idéia. Vamos passear juntos, o roteiro você escolhe. Mas eu queria sentar com você naquela pracinha perto daquela rua e vamos ficar vendo o tempo passar, o tempo da vida, o tempo do tempo e assim eu tento decifrar o tempo de voê. Eu tive uma idéia. Senta comigo num daquele bancos que tem atrás do Congresso Nacional? Eles lá dentro discutem a Proposta de Emenda Constitucional nº 40 e nós lá fora vamos falar da proposta de emenda pior do que o soneto, das respostas que eu lhe devo em vista de tantas perguntas que você tem a me fazer.
Então ficamos combinados assim. Sentados no banquinho, eu pergunto, você responde. Nos 3 poderes, invertemos os papéis. E depois, na Chapada, a gente senta no alto do Morro do e fica vendo aquela vista surreal, bem da pontinha que se a gente se desequilibrar, meu Deus, em vez de cair, a gente vai é subir mais, direto pro céu.
Tem tanto assunto pendente. Vai faltar BR pra gente rodar enquanto conversa. Uma paradinha na praia então. Vamos descansar disso tudo, ver aquele mar verde, com cuidado pra não se deixar levar pelo paraíso. Dirige você agora, eu já tô descadeirada. Eu lembro, você acho que me queria, eu exitei e disse que não, nem isso, simplesmente ignorei que te vi. Mas adianta explicar isso agora? Me dá aqui esse volante, pode ficar com o resto. Eu acabei de ter uma idéia.
Já sei, já inventei. Vamos nos embrenhar no Goiás, onde o que é menos, é mais! Quem disse que lá só tem plantador de tomate que vira cantor sertanejo? Quero saber quem foi que disse isso, você sabe? Okay, a idéia não é boa. Mas o que custa tentar?
Vamos, volta. E eu prometo em troca passear à noite com você em um lugar assim, de um jeito assim, comer uma pizza e navegar na internet lendo besteiras cybernéticas. Eu prometo mergulhar no meio, bem no meio do seu azul, do seu Poço Encantado, sem snorkel nem máscara, prometo morrer afogada e não falar mais nada.
Só mais uma coisa. Eu prometo viver pra sempre com você no pôr-do-sol do JK. Eu acabei de ter uma idéia. Me cala conferindo se é mesmo bom, ou mais o menos o beijo que eu não sei se agrada. Eu tive uma idéia. Vamos passear juntos, o roteiro você escolhe.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

hou hou hou

novamente o fim chegou tão rápido quanto o fim passado, cada vez menos percebemos que os dias foram ultrapassados velozmente, que as folhinhas do calendário mudaram e o mês doze já passa atribulado em nossas vidas.

renovar é a palavra de ordem, jogar fora aquilo que não mais nos serve e partir em busca do que é novo. os mesmos projetos de ter planos para trilhar mais 365 dias de existência. algumas metas são alcançadas logo de início, no auge da excitação em que os fogos de artifício estrondam em nossos ouvidos, outras são esquecidas, por vezes lembradas, mas nem sempre objetivadas, fazendo parte novamente do check in do novo ano...

vai saber o porque que nos tornamos mais sensíveis e talvez até mais sensatos quando dezembro bate em nossas portas, o importante é sabermos aproveitar esse sentimento de compaixão, sem demagogia, sem hipocrisia e tornamos realmente algo que nos guie não apenas no auge do grau etílico ou da emoção, mas sim por vários momentos de uma nova caminhada. ainda que essa seja simbólica e marque apenas novos anos, novas décadas, novas eras...

a questão é que, invariavelmente, em dezembro nos tornamos mais abertos e a vontade de agradecer os tempos passados florece.

sendo assim, aqui estou para agradecer aos que puderam participar novamente de mais uma trilha comigo. sejam companheiros distantes, velhos, novos, ausentes, presentes... todos que de alguma forma, ao dividir momentos de sol ou tempestade, me trouxeram alguma lição. todos sabem verdadeiramente seus valores, suas importâncias, mesmo que em graus distintos, de maneiras diversas, com intenções diferentes.... mas que têm verdadeiro significado e valia, distintos, mas têm e o sabem.

que os erros sirvam de aprendizado, as mágoas por mais encravadas que sejam possam ser dilaceradas, que o companheirismo e a boa fé não sejam apenas clichês de discursos montados. invariavelmente, independente de crenças ou convicções.... sejamos melhores, para melhores sermos!

um ano bom, uma vida boa com sentimentos e sensações ainda melhores para todos!


feliz ano, ano feliz!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

dezembre-se!

e faltam 30 dias pra novos dias.
um novo dia se dá toda vez que abrimos os olhos ao acordar, mas curiosamente eles não fazem tanto sentido quanto aquele em que à meia noite, fogos e mais fogos pipocam no céu, estrodam no ouvido e tudo vira festa assim como uma final de copa do mundo.
nesse mês, inexplicavelmente um sentimento de compaixão brota um dia ou outro, por alguns segundos ou por uns bons dias, no coração dos indivíduos que durante o ano todo guardaram tudo que lhes afligia...
durante os trinta e um dias do último mês de um ano velho, brotam esperanças, sentimentos, planos e expectativas para que no novo ano, os dias sejam melhores e a dores sejam menores...
vai saber se o universo todo conspira pra que pelo menos o ar fique menos pesado e que todos possamos fingir em um mês, que somos pessoas do bem, que estamos contentes com tudo que fazemos e temos, que nossas mágoas foram esquecidas e que estamos prontos, dispostos a zerar os contadores e seguir como uma nova e verdadeira caminhada.


dezembro conspira para pessoas esperançosas, esperanças conspiram para um dezembro dessas pessoas.

e você, conspira pelo que?
dezembre-se!