terça-feira, novembro 27, 2007

do esquecer..

lembrei do que me esqueço...
me esqueço de beber água, pois a falta de gosto dela não me agrada e ainda tendo um copo ao alcance de minhas vistas, oito horas por dia, eu esqueço do quanto ela é necessária.
esqueço do quanto era bom, rotineiramente, despejar um turbilhão de palavras num papel em branco após o almoço para esvaziar a mente. talvez até tenha esquecido como se faz para ter satisfação por aquilo que se escreve, como se faz para ter vontade de que seus escritos sejam lidos, como se faz para questionar fatos cotidianos e deles esclarecer sem mais nem menos os motivos de inquietações.
já esqueci o quanto tinha disposição para suar, malhar, correr, treinar... ter a maior vontade que os dias do judô chegassem logo. esqueci que o kimono debaixo do braço era motivo de orgulho ao pegar o ônibus e atravessar o eixo monumental no sol de duas da tarde e ainda assim nem ligar para o calor.
esqueci o quanto era bom ir acampar no final de semana, passar frio, comer verdadeiras gororobas, virar noites em claro, bolar jingles e esquetes idiotas mas que nos divertiam e ainda acordar cedo na segunda-feira, com o corpo dolorido, as mãos cheias de bolhas por fazer amarras, uma cara de quem foi atropelada e mesmo assim querer que a dose se repetisse logo no próximo fim de semana.
esqueci o quanto tinha graça rabiscar a camiseta do colégio no fim do ano letivo, mesmo que ao chegar em casa levasse uma bronca da minha mãe pelo o uniforme ser o mesmo do próximo ano.
esqueci que não precisava mais de dez reais no bolso para que uma saída no fim de semana fosse memorável. que catuaba é ruim, mas com ela a necessária vontade de estar alcoolizada era resolvida.
esqueci o quanto a paquerinha de criança é gostosa, das cartinhas envergonhadas, da inocência disso tudo.
também me esqueci do quanto não ter responsabilidades é bom e que querer ter dezoito anos logo, só pra tirar cateira é uma bobagem sem fim.
esqueço todos os dias, de atentar-me aos meus pais e dar mais importância ao que eles dizem, mesmo que o discurso seja igual. esqueço de pensar o quanto eles fizeram e ainda fazem por mim, deixando de lado, às vezes, grande parte de suas vontades para me dar uma vida melhor do que a que eles tiveram, mesmo que isso seja o master do clichê.
esqueço de prestar atenção nas coisas pequenas, nos detalhes que fazem um dia, uma vida, uma relação melhor. esqueço de me priorizar nos aspectos mais relevantes deixando o que o mais cômodo tome conta.
esqueço de lembrar o que não posso esquecer...

terça-feira, novembro 13, 2007

dose

era um vazio que tomava parte do peito. metade era alegria, metade era inquietação. seria mesmo o que acreditou ser?
a vontade de estar junto crescia, mas logo alguma frase mal dita colocava os pensamentos em xeque. para a vida queria sempre ser assim, um pouco dominante, um pouco dominado. mas de uns dias para cá, ele pensou estar sendo invadido de um sentimento de posse. uma obsessão.
não sabia lidar com o coletivo e com o seu. por vezes se pegou a imaginar como naquele relacionamento anterior, que a todos dizia ser doentio, quando acabou é claro. seria mais um mergulho de cabeça no descontrole ou seria somente falta de traquejo na relação?
e os sentimentos se misturavam, se confundiam, o confundiam principalmente...
para estar junto, também é preciso estar só. e para ele, algumas vezes a solidão era fundamental, mas para ela não fazia sentido algum.
estar só, estar junto. afinal qual a dose certa para que tudo isso se complete junto ao amor, ao desejo....
não descobriu, mesmo passando noites a pensar o que se tornou um vício. vício agora que se alimentava doentemente de boas doses de pílulas para dormir.
dormir só.... só dormir....

quarta-feira, outubro 24, 2007

satisfação.

há tempos que os dias são iguais, sem inquietude, aflições e afins a cabeça parece estagnar. a condição acomodada com o que tenho faz de minha mente uma caixa vazia a espera de novos conteúdos. faz um certo tempo que me sinto assim, desde que a vida profissional se "estabilizou", entre aspas pois estabilidade nesse caso é sinal de uma estacionada no tempo. deixei um estágio meia boca por não ser da minha área, passei para outro ainda mais meia boca financeiramente mas que talvez pudesse render frutos, trabalhei de madrugada, de manhã e estudei à noite até que a tal luz no fim do túnel surgiu. carteira assinada, um salário que me sustentava muito bem, desejos e mais desejos bestas realizados. mas a luz no fim do túnel trouxe o marasmo, a comodidade. o salário passou a ajudar nas despesas de casa, os imprevistos dos dias, a marginalidade enfim me atingiu e isso tudo foi fazendo o dinheiro ser contado nas mãos novamente. mas a questão não é material e sim pessoal, satisfação, prazer, sonhos, novamente esses quesitos começaram a se afastar. afinal o que mais é preciso para se estar bem consigo mesmo? tranquilidade em casa, no trabalho, na vida... e ainda assim pequenas reclamações. fato é que esse estado de inércia profissional afeta minha criatividade e sem ela acredito prosseguir nesse vazio mental. satisfação é um estado complexo, cheio de pequenos pedaços que dependem do tempo, do lugar, de nós... o que talvez seja a parte mais complicada dessa história.

segunda-feira, outubro 15, 2007

sete pra oito

e hoje parece ontem, tudo aconteceu tão inesperadamente e passou como um flash. ontem foi quando comemoramos o ano novo, determinamos objetivos, esperamos por dias melhores. e quando notamos, hoje já é quase amanhã novamente.
dez meses se passaram de forma veloz, os dias seguiram de maneira robótica e pouco foi mudado. das suas metas, quais já alcançou? dos seus desejos, quais já realizou? das esperanças, quais deixaram de ser apenas vontades?
o ano se vai sem pausa, sem freio e talvez sem direção.
zero sete era um ano de grandes expectativas, era ou é, quem sabe... apenas sei que apesar das tardes se arrastarem como um caramujo, o ano passou. sim passou, dois meses são apenas de grande correria e expectativa. o que poderia ter mudado efetivamente, já deveria ter acontecido. onze e doze são apenas balanços, reflexões e novas esperanças.
foi ontem que coisas inimagináveis surgiram em meus dias, algumas se foram como apareceram, sem explicações. foi ontem que as amizades se fortaleceram ainda mais e também foi ontem que outras sumiram sem cerimônia. foi ontem que mais uma perda nos pegou de surpresa e deixou um vazio no que de pensar dói. foi ontem que a esperança ressurgiu no coração. foi ontem que tudo se repetiu e se renovou, assim contraditório mesmo.
apesar da lentidão das horas em alguns dias, hoje já é quase amanhã. sete já é quase oito e pouco, muito pouco foi o que mudou....

sexta-feira, setembro 21, 2007

chove não molha...

E hoje é sexta-feira! o sexto dia da semana que tem cara de último, para muitos é motivo de alívio, de descanso... Mas a grande maioria vê no raiar desse dia a desculpa para transbordar o caneco. Para a minha humilde e dispensável opinião, sexta-feira é o dia em que percebo que nada mudou e que não existem previsões breves de mudança.
Era para ser o fim de uma sequência de fatos repetidos e chatos que começaram lá na segunda, que na verdade é o primeiro dia de uma semana sempre igual. Tudo segue assim, semanas, meses, anos que chegam ao fim e traçamos planos que raramente nem sequer tomam formas em papéis, talvez por isso se desfaçam no tempo de nossas mentes.
Sexta é o dia em que percebo que mais um final de semana sem opções agradáveis está prestes a acontecer nessa ilha, sexta é o dia em que o ânimo surge para o deguste de três ou quatro garrafas de antártica e a volta para casa na hora do Globo Repórter.
A vida, às vezes, é uma grande enrolação, fazemos tantas coisas sem saber os motivos e nem saber pra onde elas vão nos levar senão a um mesmo lugar. Há tempos em que estamos lotados de coisas a fazer e não vemos a hora delas acabarem e quando acabam, não aguentamos de tanto tédio atenuando a mesmisse. É agunstiante e certo que o ser humano necessita de doses homeopáticas de emoção, de intensa atividade cardíaca, de borboletas que dêm sinal de vida no estômago. Não é possível que exista alguém que consiga viver calmamente uma rotina. E assim de tempos em tempos, a vontade é que exista um terremoto.

sexta-feira, agosto 31, 2007

me mudei-me-me.

pois é. às vezes a gente cansa e vê que as coisas mudam. e eu resolvi mudar. não não! não vou virar católica apostólica romana para alcançar a glória dos céus, não vou abandonar os meus bens materiais(?) e me juntar aos seguidores de alguma coisa que diz viver sem isso, não vou me entregar ao todo poderos jesus cristo e aparecer na canal da sara nossa terra todos os domingos durante o culto, não vou. eu não vou nada. só vou mudar isso aqui para ver se assim, aos poucos, eu consiga deixar de lado a preguiça de escrever e recupero o meu sacarsmo digital.
am ram. é sim. vou escrever mais o que apareça na minha cabeça e me pertube por mais de uma hora, pra ver se assim desentoco essas idéias vencidas do meu estoque mental.
a vida é feita de vícios. de uns a gente se livra e outros a gente carrega pra sempre. a minha lista é enorme, certamente daria umas três vezes do meu tamanho, que verticalmente não é muito mas horizontalmente anda crescendo numa velocidade absurda. sendo assim, alguns vícios são inseparáveis como o mínimo de 350 ml de um conteúdo líquido gasoso e negro por dia, como ouvir sempre uma mesma música todos os dias, como visitar alguns blogs e invejar a inteligência alheia, como observar figuras que passeiam pelas ruas e por aí vai. e vai e vai. na verdade definir se são vícios ou necessidades, já é algo além de meus fracassados pensamentos, mas é mais ou menos assim mesmo. vício e necessidade.
tenho vício de ler e não terminar, começar a ler e esquecer... mas tenho a necessidade de falar, de escrever e isso tem sido bloqueado há algum tempo, e não permitirei que além da preguiça física a mental me contamine ainda mais. retirar o encosto mais dorminhoco e empreguiçado do mundo que se apossou de meu corpo não tem sido uma batalha fácil, ando levando uma surra de travesseiro todos os dias. mas resolvi dar um basta na burrice. tchau preguiça pensadeira, escrevinhadeira! me mudei-me-me, agora você não me acha mais! e tenho dito!

quarta-feira, agosto 29, 2007

terremoto

não bastavam mais apelos para que algo de novo virasse a vida do avesso. todas as preces, pedidos, promessas, lamúrias, lamentos... nada. nada disso surtia efeito para que a rotina massante sumisse de sua vida.
de casa para o trabalho às vezes a paisagem se mostrava diferente, no trabalho às vezes o telefonema trazia uma dúvida intrigante, no resto do tempo os amigos eram os mesmos, com os amigos os programas eram sempre os mesmos e de mesmos a vida já estava saturada.
o relógio no pulso mostrava exatamente todos os seus trajetos, como um mapa norteado pelo tempo. e nada se modificava.
queria ser um terremoto.

terça-feira, agosto 28, 2007

pensando em você

Eu estava ouvindo Edgar Scandurra hoje e imaginei nós dois em um vídeo, como quando estamos juntos, em imagem de Super 8. Sempre gostei do efeito dessa câmera, parecia que fazíamos parte de um capítulo de Anos Incríveis. Sempre gostei de Anos Incríveis, trazia uma sensação de que éramos parte daquilo, e no momento da minha imaginação estávamos lá, eu e você, pelo filme de uma Super 8.
Outro dia estava passeando por uns blogs e li umas coisas que morri de inveja, pois eu queria ter escrito daquele jeito pra você. Mesmo que eu tente sempre te dizer o que sinto da melhor forma que consigo, eu queria ter escrito daquele jeitinho pra você. Mesmo que você não entenda direito a minha letra, eu queria um dia conseguir reunir tudo o que sinto em palavras que se encaixem e não faltem em entendimento.
No caminho para o trabalho, ouvindo um cd antigo, surgiu uma música do Hoobastank mas que certamente você não iria gostar. Não importa. Fato é que lembrei de você no meio daquela fila de carros parados e isso me fez sorrir mais leve.
Teve também um dia em que o Corinthians resolveu ganhar uma partida, fez três gols. E lembrei de você, olha que quando falo de Corinthians não costumo dividir com mais nada os meus pensamentos. Não adianta, você é uma quebra de regra. Estava lá até quando o Timão resolveu me dar alegrias.
Acho que vou pensar em você quando tiver que enfrentar a fila da lotérica pra ficarmos ricos pela Mega Sena. Fazendo planos pra nós, quem sabe a tormenta de ficar em pé, numa fila gigante, escolhendo os números se torne mais agradável.
Lembro de você até quando leio o jornal, até em jornal de economia! Não tem jeito... Você está embrenhado em meus pensamentos.
E ontem eu estava pensando que pensava em você até quando estava pensando que não estava pensando.
Na próxima vez que descobrir alguma banda nova, vou fazer um comentário mental e imaginar a sua réplica.
Por certo pensarei ainda mais em você quando faltarem cada vez menos dias pra chegar o feriado. Na nossa lógica mais é menos e isso me conforta...

segunda-feira, agosto 27, 2007

tudo vai ficar bem

eram dias assim com o coração apertado. não aguentava mais ter e não saber, não ouvir, não falar, não estar... o sentimento sufocado pelo nó na garganta, estava monocromático. por dias seguidos a euforia de ver ali, ao lado, se transformara em agonia, lentidão. há quem saiba lidar com os defeitos, ela não sabia. fazia do seu melhor, o pior para amenizar o desconforto e assim se enterrava ainda mais em mágoas. daquilo tudo somava-se tristeza, culpa, solidão. sentimentos bonitos soterrados por uma maré de ondas ruins. o choro no vazio, o extremo sim, poque não? sofria por amor, pelo amor que por tantas vezes é irracional, sufoca, perde o tino. ela perdeu o seu e sofria por amor. distante...

há os que dizem que tudo vai ficar bem, só não se sabe se ela ficará também.

quarta-feira, junho 06, 2007

Gripe.

Afinal para que serve uma gripe além de uma limpeza, ampla e eficaz dos pulmões? A sensação de que um treminhão daqueles que carregam cana, pelas rodovias de SP, passou por cima de você na base de umas dez, oito vezes é algo realmente inexplicável. Os que lhe vêm soltam os mais belos comentários "nossa, o que houve com você?". Gripe, conhece? Não entendo como, mas ela fez isso comigo e fará com você também numa próxima mudança de estação...

O pior da gripe não é a malemolência que ela atribui a você, a seus sentidos e todos os membros do seu corpo. O pior da gripe é ter que aliar malemolência versus trabalho. O lado bom é que sabiamente os inventos internéticos não requerem tanto esforço para lhe ajudar na estática do tempo. São esses que lhe ajudam a burlar o seu chefe. Pois da gripe só recebi coisas boas através do msn.

Táticas de guerrilha para voltar mais cedo para casa, foi o que não me faltou hoje. Janelas piscam no msn para dizer: "tosse bem perto do seu chefe", "faz aquela cara de gato morto ao falar com ele" "dá umas cafungadas bem profundas mesmo". Se elas funcionam? Bom, até agora não colou. Cuidado vocês aí, o efeito viral deve funcionar melhor virtualmente do que pessoalmente.

domingo, maio 27, 2007

Portifólio (1)

Se textos existem é porque devem ser lidos. Resolvi então colocar por aqui alguns escritos feitos para trabalhos acadêmicos. Esse é um deles.

#

CATALIZADOR

Cultura de margem
Caminhando por fora, mas não ofuscada, a periferia do DF leva sua arte além dos limites pré-determinados

Por Lali Mariáh
Movimentos sociais partem daqueles que necessitam de sua existência. Os então excluídos surgem agora como formadores de novos ideais, novos seletores de notícia, novos expositores de opinião. Como resiste, insiste e prevalece a cena social na periferia do DF, que se esconde por detrás do reino político dominante na cidade.Há alguns anos atrás, pronunciar Hip Hop era certeza de olhares tortos e preconceitos assumidos. Mas o destaque nacional de alguns rappers, então desconhecidos pela mídia e idolatrados pela massa, fez com que essa imagem começasse a mudar. Em Brasília, para quem vive nas cidades satélites, ou até mesmo participa desse movimento em áreas denominadas burguesas, citar nomes como Mano Brown, Mv Bill, Xis e tantos outros é sinal de respeito. Ao pronunciar Gog, Relato Bíblico, DF Zulu Breakers, Dino Black e outros mais, as palavras são oportunidade e admiração. No Distrito Federal o movimento Hip Hop segue forte, mesmo que ofuscado por tantas vezes, hoje se mostra presente em diversos pontos da capital. As ações promovidas por esses grupos, fazem muito mais sentido do que um simples show de fim de semana. DJ Portela do grupo Relato Bíblico, deixa claro no artigo “Qual o meu papel” do site Real Hip Hop que para ele, não basta jogar mensagens soltas aos ouvidos de quem escuta o som e sim fazer a sua parte, promover a socialização da comunidade, fazer com que as pessoas percebam que o movimento não é só música, grafite e dança e sim resgate, disseminação de informação, cultura de rua pra quem é e para quem se preocupa com ela.De tempos em tempos, campanhas sociais vêm à tona em busca de holofotes. Para o Hip Hop, o que menos preocupa é a exposição. Campanhas diversas acontecem em busca de conscientização, dentre elas coletas de agasalhos para meninos de rua, oficinas de stencil, serigrafia e grafite buscando incentivar os freqüentadores a adquirir conhecimento. Em todo fim de mês, ocorre no Conic o encontro de B’boys, onde além de se divertir, os participantes trocam idéias sobre novos projetos e acontecimentos. Também no Conic, no período de três em três meses, um evento chamado Parabólica, além de movimentar o comércio local oferece aos visitantes uma tarde cheia de eventos. Confronto de B’boys e B’girls, batalha de rimas, além das oficinas de arte, tudo isso de graça, organizado por uma equipe que tem no comando Jenny Choe, no intuito de promover a cultura Hip Hop.Ao que se vê o movimento não é marca, muito menos moda. É cultura do povo, para o povo que dela vive. É despertar para uma sociedade que se isola e prefere não ver que a periferia não é burra e muito menos se cala, a periferia é culta e organizada em busca de dias melhores, pois ela sim assume que em toda quebrada tem sangue bom, sangue ruim, a paz depende de você, a paz depende de mim, Relato Bíblico.

Colaboração:
www.realhiphop.com.br DJ- Portela/Relato Bíblico
Jenny Choe www.fotolog.net/movebsb
www.grafitti.org.br

quarta-feira, maio 23, 2007

dos quereres...

em um outro momento, queria se organizar para poder ter tempo para todos os seus feitos, os seus desejos, os seus medos.
queria poder acordar de manhã com calma, e não pular bruscamente da cama em um ato de desespero. seguir calmamente, despertando conforme o ritmo do dia, apreciando o sabor do café e do pão sem ter que engolir sem tossir, para não se atrasar.
queria estar em todos os lugares que lhe convidam, aproveitando as experiências como devem ser, novas ou velhas.
queria dirigir e não se irritar com quem anda muito rápido e lhe agonia, ou quem anda muito devagar e lhe incomoda por não usar a devida faixa para os carros lentos, queria guiar e observar tudo, meticulosamente.
queria pôr suas idéias em prática, sem que elas se perdessem ou deixassem pedaços com o tempo, queria inovar a sua vida e a vida de muita gente.
queria ver seus amigos, nos devidos ambientes diferentes, da maneira que se merece. com disposição de todos, em alegria plena, sem tempo para discussões de problemas ou tristezas.
queria conversar mais com seus pais, viajar com eles como nos tempos em que suas férias eram programadas com muita antecedência, em que o litoral era destino, por mais que a sensação pregante da água salgada lhe incomodasse.
queria ser quem bem entendesse, sem ligar para o que aquilo pudesse resultar no seu círculo social de trabalho, ou de faculdade.
queria não se entristecer ao ver tristeza nas ruas, nos sinais, embaixo das pontes, nos jornais.
queria ver tv e saber que nada daquilo era mentira, ou por parte parcial, queria saber que a verdade não é vergonha e sim virtude.
queria crer, crer no que fosse, em quem fosse, para nas horas de afliação sentir a sensação de paz que todos dizem conhecer.
queria que tudo que quisesse, dentro da sanidade, fosse possível e não deixasse seu coração apertado por não conseguir abraçar a todas suas vontades.
queria querer, poder querer.

sobre o que dizer...

eu poderia escrever um milhão de linhas como tantos outros já fazem nesse momento, ou como fizeram em tantos outros que esse brasil il il já passou. mas não convém. não agora...

o que me entristece é a mediocrização de certas parcelas do povo, defender quem rouba seu próprio dinheiro não chega a ser burrice, nem tampouco deva existir palavra para tal no dicionário.

não escolhi uma profissão para ter glamour, nem ao menos sei se ela vai me orgulhar tanto quanto dou a sorte de estar nos lugares certos, nas horas exatas. essa escolha com certeza me faz lembrar, a todo momento, de meus pais ao dizerem "ao menos você terá a consciência tranquila quando encostar a cabeça no travesseiro". por isso, mesmo com toda a raiva dos dizeres baixos e atitudes repugnantes vistas hoje, sei que em algum momento o meu papel foi feito e será mais um a passar a mensagem.

a idiotice do povo não me faz rir, muito menos me diverte. cenas como as de hoje, nas quais um bando de desorientados vangloriavam o "sr". pedro passos, um exímio grilador de terras, e seu habeas corpus, transformam minha tristeza em raiva, por ter a certeza de que isso não vai mudar. defender a quem lhe rouba, como se defende um pai ou uma mãe não é atitude de alguém em plena consciência. Essa é a maioria, uma maioria de abilolados...

isso é só um desbafo, mais um desbafo qualquer nesse mundo internético, mas que talvez faça alguns repensarem em seus atos ao lerem os cadernos política, brasil ou opinião nos jornais de amanhã.

s.o.s. brasil. s.o.s. consciência....

terça-feira, maio 15, 2007

dos motivos

como se não houvessem mais horas a seguir, vivi aquele momento como o último. queria ter guardada numa possível memória final, a lembrança feliz, de coisas que pudessem alegrar a mente que até então, estava estafada, alarmada...
em uma sala com duas janelas, uma porta sempre fechada e o tempo frio, os dias passam atribulados. o que vejo são minutos perdidos por uma perpesctiva vã que já não faz sentido, ou será que um dia chegou a ter sentido?
os propósitos não são concretos, mas a vontade. ah, a vontade é de poder seguir enquanto os atos fizerem sentido para o coração e para a mente.
fecho os olhos e penso faltar muito pouco, pouco muito. pouco para mais uma jornada de conhecimentos, muito para descobrir o que fazer dela.
incerteza do quê, pra quê, porque... quero ver quem sabe o bê a bá de tudo isso. quem um dia acordou e soube exatamente o que queria, por onde iria, porque fazia...

quarta-feira, abril 25, 2007

viver assim

para aqueles dias em que a vida só tinha tons opacos e escuros, lembrava de quem fazia enxergar que no mundo existem mais cores do que vemos no arco-íris. pensava que tudo poderia ser como em um livro de fábulas, um romance de hollywood, uma novela das oito que no fim, sempre sem nenhuma dúvida, os sorrisos estariam sempre estampados na face serena dos personagens. pensava, às vezes não ser melhor assim... ainda bem.
sem adversidades a vida passaria muito rápida e quem sabe, seria uma chatisse! aquilo que ouvimos dos avós, nada como um dia após o outro, não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca acabe, até se torna estimulante. sem obstáculo, imprecisão, imprevistos, sustos o reconhecimento do que tem o devido valor poderia nem acontecer.
quando os tempos andam ruins, existem aqueles que nos fazem ver as ações por outras perspectivas. nos mostram que fora os ditados clichês, existe um mundo muito maior do que costumamos ver, por mais que não possamos abraçá-lo ele está a nossa espera, com supresas boas e ruins, mas que é infinitamente além do que nos deixamos enxergar.
aqueles em que podemos ver nossa luz em um túnel longínquo, são esses que levamos em nossos baús para todo os dias alimentarmos mais um pouco esse elo do destino.
por manisfestações genuínas de afeto, dessas que acalentam o dia, quem não gosta? parece difícil, mas não é bem melhor viver assim?!

segunda-feira, abril 09, 2007

mente quieta?

os dias passavam pela janela como em uma viagem de trem. lá fora, um dia cinza e frio reproduzia exatamente o sentimento que apertava aquele coração.
acordara assim, como se não só o mundo, mas sua vida tivesse girado calmamente equanto ela não via.
o que havia diante de suas expectativas, simplesmente desapareceu. o que estava gravado em mensagens no celular, não fazia mais sentido. o que voltava em sua memória, se apagava a cada retrospectiva....
em seus pensamentos somente a dúvida, o querer saber. afinal, para tudo existe uma resposta. não bastavam argumentos vazios, ela queria ver em respostas, a solução.
seria essa a questão que, invariavelmente, comia aos poucos um pedaço de sua tranquilidade?
sossego e acalento do coração, era o que buscava para seus dias. o que já não existia era a certeza. certeza de que um dia, tudo ficaria tranquilo...

terça-feira, março 27, 2007

Da janela

Para quem você olha quando anda na rua? Quantos mesmos você vê, achando que já sabe tudo da vida deles, por vê-los todos os dias fazendo as mesmas coisas nos mesmos horários? O quanto você afia o seu poder de observação indagando os outros com doses graúdas generosas de curiosidade?
Observar é de fato uma arte. É através dos olhos, a janela da alma, que entramos nas janelas dos outros, raramente de modo consentido. Somos, na maior parte do tempo, invasores de janelas alheias. E, se preciso for, arrombamos tudo com conclusões precipitadas.
O rapaz que passeia com o cachorro todos os dias e que atravessa na faixa, na minha frente, enquanto o semáforo está vermelho, é exemplo disso. Detesta passear com aquele cachorro, porque usa a coleira da impaciência. O pobre coitado — o cachorro, não o rapaz — continua adulador, embora procure solidariedade em olhares desconhecidos. É da janela do meu carro que observo os dois. Vou entrando sem cerimônia em vidas que não me conhecem, que, por sua vez, atravessam aquela rua avassalando outras, as quais, igualmente, não têm consciência de estarem sendo escaneadas.Há muita gente em inúmeras janelas espalhadas por aí, olhando tudo, quietas, praticando observação. Quantos, por exemplo, lêem as idéias da minha janela sem sequer me conhecer? Quantos permanecem fiéis e anônimos observadores acessando minha vida com regularidade, toda vez que os cruzo sem que eu saiba, para dar uma olhadela no que meus olhos castanhos vêem?Freqüentemente observo a mim mesma e me pergunto se meu olhar é que é interessante ou se o fato de manter esta janela virtual aberta é que é convite mais que suficiente para me espiarem enquanto me troco em palavras. Posso ser aquele rapaz com o cachorro andando na rua de alguém.
Não tem problema. Observar é dolorido por devassar ambientes e interiores, nossos ou dos outros, numa constante espionagem que revira valores, desesconde receios e traz à tona o que foi esquecido, mas, ao mesmo tempo, revela muito do que somos, nós e os outros, escancarando pensamentos expostos na vitrine do olhar.
Ohar o que não é meu é o que faz me perder do que me perde por dentro, do que não encontro em mim, talvez possa estar guardado em você...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

caixa roxa

Dentro daquela caixa estavam os vestígios de anos que se foram. Para Ela, uma preciosidade. Para Ele, um de tantos entulhos.
Todos os dias, qual fosse a hora bastava uns minutos livres e aquela caixa grande e roxa era aberta. Dentro dela retratos de várias vidas, vidas que se cruzaram e se tornaram, dentro daquele quadrado de papel, os momentos mais preciosos para Ela.
Todos os dias, qual fosse o humor bastava notar que a caixa roxa não estava mais no mesmo lugar, Ele desenbestava a resmungar. Essas vidas, não mais o importavam e por isso estavam lá encaixotadas, os momentos que se foram e ponto final.
Ao rever todos os dias, aleatoreamente, um punhado de retratos Ela se sentia ainda mais viva, como se aquelas fotos a fizessem renovar sua história. As lembranças de bons e maus momentos automaticamente geravam um balanço. O saldo de seus dias.
Ele não pensava assim, por vezes pensou em abrir mão de tais registros. Para Ele a vida não está na estática de um papel e sim na ação do que há por vir.
Todos os dias assim, um suspiro daqui, um resmungo dali e tantos outros retratos iam sendo acresentados àquela caixa roxa.
No dia 25 de setembro, cinco anos após Ele e Ela se conhecerem e juntarem suas caixas, Ele cansou. Desfez os seus armários e levou consigo caixotes, caixinhas e caixas para outro lugar que, de preferência, não houvesse caixas roxas.
Para Ela, Ele continuava ali. Junto de seus retratos, junto de tantas outras vidas, junto de várias lembranças doces e amargas. Dentro daquela caixa, Ele não era só mais um como em seu coração.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

...

há dias remoendo notícias amargas, pensava apenas em não acreditar existir coisas piores anônimas ao sensacionalismo dos jornais.
e o que há de mal no mundo é imensamente maior do que se imagina. isso é certeza. isso é fato. isso é notícia. isso é capa de jornal e revista semanal.
para poucos a vida é bela e mesmo que não seja, para poucos é possível disfarçar os destroços do mundo.