quinta-feira, fevereiro 22, 2007

caixa roxa

Dentro daquela caixa estavam os vestígios de anos que se foram. Para Ela, uma preciosidade. Para Ele, um de tantos entulhos.
Todos os dias, qual fosse a hora bastava uns minutos livres e aquela caixa grande e roxa era aberta. Dentro dela retratos de várias vidas, vidas que se cruzaram e se tornaram, dentro daquele quadrado de papel, os momentos mais preciosos para Ela.
Todos os dias, qual fosse o humor bastava notar que a caixa roxa não estava mais no mesmo lugar, Ele desenbestava a resmungar. Essas vidas, não mais o importavam e por isso estavam lá encaixotadas, os momentos que se foram e ponto final.
Ao rever todos os dias, aleatoreamente, um punhado de retratos Ela se sentia ainda mais viva, como se aquelas fotos a fizessem renovar sua história. As lembranças de bons e maus momentos automaticamente geravam um balanço. O saldo de seus dias.
Ele não pensava assim, por vezes pensou em abrir mão de tais registros. Para Ele a vida não está na estática de um papel e sim na ação do que há por vir.
Todos os dias assim, um suspiro daqui, um resmungo dali e tantos outros retratos iam sendo acresentados àquela caixa roxa.
No dia 25 de setembro, cinco anos após Ele e Ela se conhecerem e juntarem suas caixas, Ele cansou. Desfez os seus armários e levou consigo caixotes, caixinhas e caixas para outro lugar que, de preferência, não houvesse caixas roxas.
Para Ela, Ele continuava ali. Junto de seus retratos, junto de tantas outras vidas, junto de várias lembranças doces e amargas. Dentro daquela caixa, Ele não era só mais um como em seu coração.

Um comentário:

Anônimo disse...

..dias melhores pra sempre..
:)