terça-feira, dezembro 12, 2006

subversão

Fiz um outro amor de papel. No dia em que eu dobrava o anterior, retirava a tirinha do envelope como fosse brincadeira. O próximo. Daí que não era um bom nome. Depois pensei: e qual deles algum dia teria sido bom nome? Fiquei brincando com o nome dele entre os meus dedos. E meu sorriso encontrando o dele pelas esquinas o tempo todo. E as vontades saindo de trás das árvores sob o sol das duas da tarde. Está todo mundo olhando, eu pensava. Ele nem ligava. Ligava, sim. De hora em hora. E eu deitada sobre o tapete da sala respondendo risadas indecentes. Entrava no banho e gritava com o sabonete que insistia em me lembrar que aquele não era um bom nome. Dane-se. Me faz feliz. Tenho tantas risadas esparramadas pelo tapete que ninguém acreditaria. Talvez seja esse o problema, elas ficam ali cravadas no chão que todos pisam, passam por cima e nem notam, equanto eu as vejo saltitantes, radiantes, me mostrando que fazem parte de um passado e não de um presente que tanto quero e tento encontrar. Sim, eu não acho e finjo. Então minto. Esfrego os olhos e digo que chorei a noite inteira.

Um comentário:

Anônimo disse...

Mundo só, mundo confuso, palavras caem em desuso, só peço pra que o futuro seja melhor que o passado e que o presente nunca se repita em uma vida ausente.