quando tomarmos aquele vinho que nos prometemos há um bom tempo, aí sim tudo seria como imaginei.
você chega em meu apartamento pequeno, esprimido e cheio de lembranças de viagens, trazendo a garrafa que me prometeu quando nos conhecemos. na sala, um tapete felpudo, algumas almofadas, velas iluminam e dão um ar de fascinação, a trilha sonora é aquela que sempre comentávamos durante as conversas intermináveis por telefone.
não acredito que finalmente, finalmente estamos juntos. mesmo que juntos apenas num mesmo ambiente, nossas almas ainda parecem perdidas, em desacerto diante de tanta euforia contida.
a noite é longa, uma garrafa só é pouco para tanta coisa. saímos rumo ao supermercado lá nos abastecemos de novas garrafas, queijos e salaminhos. sempre que via um casal com esses ingredientes na cestinha, na hora do caixa, me batia uma invejinha agradável. logo imaginava qual seria a ocasião que aqueles produtos seriam usufruídos... e agora lá estávamos nós, não como um casal de apaixonados, mas como um casal disposto a encarar o novo. será que alguém ali naquela fila nos analisava e imaginava toda nossa história?
as horas voavam, eu nem notei que era dia. quando você me chamou na varanda para ver o sol nascer, não pude acreditar que já raiva um novo dia... tudo passou tão rápido, mas essencial para ser o que bastava para nós. na varanda, um café, um suco de laranja e toda a correria dos carros não parecia influir em nada em nossa estática.
assim foi e continua sendo até hoje, o último dia de nossas vidas. no fim de uma tradicional garrafa de vinho, se foi também nosso nascer do sol de cada dia. se foi a nossa vida como uma, você se foi e me fez ficar aqui, olhando esse céu sem estrelas, essa casa sem alegria, essa noite sem som...
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Um comentário:
pois é... saudade é uma coisa que fica de alguém que, infelizmente, não fica...
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